12:35Documentário conta a história do teatro político em Curitiba

 A primeira formação do grupo de teatro político, numa encenação da peça de Vianinha “Patria o Muerte”, que falava sobre a Revolução Cubana. Eles encenavam em cima de um caminhão, na Praça do Portão. Ao centro, o Euclides Coelho de Souza ( o Dadá), como Fidel Castro.

Do jeito que veio:

Estréía dia 13 de setembro, na Cinemateca  “Teatro Político, uma história de utopia”, direção de Tulio Viaro, pesquisa e roteiro de Ana Carolina Caldas e fotografia de Gilson Camargo. É a história do movimento político e artístico realizado na Curitiba dos anos 60, por artistas, estudantes, intelectuais e jornalistas que acreditavam no teatro como instrumento revolucionário. Depoimentos de ex integrantes como Euclides Coelho de Souza (Dadá do Teatro de Bonecos), Zelia Passos, Alcidino Bittencourt, Marly Genari e relatos de jornalistas que escreviam sobre cultura na década de 60, como Mazza, Edésio Passos e René Dotti. O documentário conta ainda com a participação especial de Ferreira Gullar e de Artur Poerner, escritor do livro “O Poder Jovem” e jornalista do JB. As peças teatrais encenadas na época são reencenadas para o documentário pelas atrizes Chris Macedo, Maureen Miranda e Chiris Gomes com a direção de Octávio Camargo, cenário e figurino de Marcelo Scalzo.

Antes da exibição haverá um debate sobre o teatro político com a participação da pesquisadora do documentário Ana Carolina Caldas, do fundador do movimento de teatro político Euclides Coelho de Souza (Dadá) e do músico e diretor Octávio Camargo.

Sinopse:

Esta história começa em 1959, quando estudantes da Juventude Comunista resolvem encenar a peça “Pátria o Muerte”, sobre a revolução cubana escrita por Oduvaldo Viana Filho, o Vianinha. Em cima de um caminhão vão às ruas fazer o que chamavam de “representações comícios”. O objetivo era através do teatro, conscientizar o povo da sua função revolucionária. Euclides Coelho de Souza (o Dadá do Teatro de Bonecos)  e o jornalista Walmor Marcelino foram os líderes do grupo, que além de encenarem nas ruas, também foram para dentro de sindicatos, associações de moradores e no Teatro Guaíra. No primeiro momento, em 1960, formam o “Teatro do Povo”, grupo ligado ao Partido Comunista.

Para declarar independência do partido, fundam a Sociedade de Arte Popular, chegando a ofertar cursos de formação teatral em parceria com o Teatro Guaíra. Integram-se novos alunos como Zélia Passos, Oraci Gemba, Alcidino Bittencourt, Adair Chevonicka, e , . Encenam nesta fase as peças “Os Justos”, de Camus, a “Prostituta Respeitosa”, de Sartre, e uma peça escrita por Walmor Marcelino, chamada “Subterrâneos da Cidade”, em virtude às comemorações do dia 1º de maio.

CPC da UNE e Campanha contra o Analfabetismo

Em 1962, há um arrefecimento das atividades do grupo, no mesmo momento em que nacionalmente Vianinha, no Rio de Janeiro, criava o Centro Popular de Cultura junto com a União Nacional dos Estudantes (o CPC da UNE). Euclides Coelho de Souza é convidado para participar e vai para o Rio. A UNE patrocinada pelo Governo João Goulart, cria o Projeto Une Volante: os dirigentes estudantis junto com os artistas viajaram o Brasil inteiro para debater a Reforma Universitária e criar novos centros populares de cultura. Ferreira Gullar, um dos coordenadores do CPC nacional,  diz que a missão era fazer através da cultura a defesa de temas nacionais e lutar contra o imperialismo.  Em Curitiba,  Euclides vira o coordenador do CPC local. Volta do Rio, trazendo na bagagem novos conhecimentos sobre o mágico universo do Teatro de Bonecos. Os integrantes do CPC da UNE em Curitiba ingressam no Movimento contra o Analfabetismo deflagrado por Jango, em 1963. Aprendem o Método Paulo Freire e vão para as favelas, usando os bonecos como professores, alfabetizar mulheres e homens trabalhadores. Em 30 de março de 1964, o sonho de fazer a revolução através do teatro, da política e da educação é interrompido com o início da Ditadura Militar.

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