6:28Caneta cheia?

Por Ivan Schmidt 

Chama a atenção do observador da política, até mesmo pela disposição fartamente antecipada de assumir a governança do Estado com o motor tinindo à máxima potência, um aspecto que teima em sugerir que a então vice-governadora Cida Borghetti não teve tempo (ou disposição) para organizar o secretariado, bem como para delinear o grupo de auxiliares diretos nas empresas estaduais.

A primeira vista, isso pode significar certa debilidade do novo governo, ou até mesmo a dificuldade no recrutamento dos ocupantes dos principais cargos na composição governamental (secretários e presidentes de companhias estaduais). Ou ainda a corriqueira, mas desgastante constatação de que há um número muitas vezes superior de postulantes do que cargos a oferecer.

Tendo em vista que Cida, já governadora, apressou-se a revelar o que todos sabiam, que seu governo será um papel carbono do anterior, a tendência é que não haja grande renovação de nomes no secretariado. Tudo indica que os postos vagos serão ocupados pelos diretores gerais, auxiliares mais próximos dos titulares anteriores, significando na prática que serão eles mesmos  os responsáveis por rodar a manivela nas pastas até então exercidas.

Aliás, foi exatamente o que ocorreu com a reforma ministerial proposta pelo presidente Michel Temer, que acabou colocando no lugar dos ministros que deixaram os cargos para se candidatar a novos mandatos, os secretários executivos dos ministérios, ou quadros egressos da reserva técnica mantida pelos partidos da base , sempre ansiosa  para pegar uma boca qualquer.

É também uma obviedade ululante a indisposição de alguém aceitar uma incumbência passageira numa secretaria de Estado ou ministério por período tão curto, quando não há tempo suficiente para o lançamento de novos projetos, a não ser o esforço nem sempre compensador de garantir a execução dos projetos em andamento.

Dou um exemplo aleatório: o que pode fazer a nova secretária da Educação senão manter em movimento o projeto recebido da antecessora?

Uma parte importante do projeto político de Cida tornou-se efetivo ao assumir o governo para disputar, no exercício do cargo, o direito de governar por mais quatro anos. Os rumores de que Beto não renunciaria abrindo mão de uma cadeira no Senado, foram uma espécie de cortina de fumaça ou conversa para boi dormir, não se sabe ao certo com que intenção, já que a eleição de Beto para o novo cargo somente não acontecerá se algo inusitado e completamente estranho venha a ocorrer. Ou se ele preferir ficar em casa para ir buscar os netos na escola.

No comando da máquina governamental, Cida será devidamente orientada pelo deputado e marido Ricardo Barros, candidato à reeleição para a Câmara e, simples assim, coordenador da campanha da mulher para a permanência no Palácio Iguaçu.

Outra decisão acertada da governadora, que marca um sinal altamente positivo de sua intenção de bem governar o Paraná, deu-se na nomeação do cunhado Sílvio Barros para a chefia da Casa Civil, cargo que deverá acumular com a direção superior da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, até então tocada por Ratinho Jr, uma das mais importantes peças na engrenagem de governo por sua capilaridade e contatos diretos com prefeitos municipais.

Duas vezes prefeito de Maringá, provado por sua capacidade de articulação, visão pragmática do processo político e diplomacia para tratar as questões que lhe chegam, Silvio será um auxiliar indispensável no dia a dia da governadora e uma espécie de superintendente geral da gestão estadual.

A incógnita é saber se a governadora terá bala na agulha (ou caneta cheia) para honrar, falando em tese, velhos e novos compromissos com os prefeitos aliados ou aqueles que certamente estão na mira do comboio de Cida, que ainda não cresceu junto ao eleitorado segundo pesquisa feita recentemente pelo Ibope. Em sua avaliação, porém, o quadro mudará na medida em que comecem a aparecer os efeitos de seu estilo de governar e da campanha eleitoral propriamente dita, de modo significativo no horário da televisão, no qual terá o maior tempo.

Amostra da curiosa conjuntura fisiológica da política paranaense foi dada pelos jornais ao noticiarem que deputados estaduais do PSD (partido de Ratinho Jr), estariam sendo aconselhados pelo deputado Pedro Lupion (DEM), líder do governo, a prosseguir integrados à base majoritária na Assembleia Legislativa, configurando uma situação que — no mínimo — haveria de constranger o próprio Conselheiro Zacarias. Mais fisiológico impossível.

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