8:05Candidatos pelo país fazem malabarismos para bancar campanhas eleitorais

Da Folha.com

Na primeira eleição sem doações de empresas, candidatos estão recorrendo a amigos, assessores e ao próprio patrimônio para financiar suas campanhas.

O malabarismo eleitoral inclui até herança —caso de Rafael Greca (PMN), candidato a prefeito em Curitiba. Ele diz ter vendido um terreno por R$ 600 mil, que ganhou de um tio, para doar a si mesmo.

Até agora, o valor representa 95% de tudo o que arrecadou. “Quanto mais pobre a campanha, mais rica a prefeitura”, afirma o candidato, dono de um patrimônio declarado de R$ 573 mil.

Candidato à reeleição, Gustavo Fruet (PDT) apela para o voluntariado: ex-servidores e colaboradores da campanha têm trabalhado sem receber, pela “expectativa de participar do projeto”, segundo a coordenação.

Cerca de 20% da equipe não é paga pelo serviço. Até agora, foram R$ 34 mil “arrecadados” dessa forma.

Alguns dos principais contribuintes estão no secretariado: eles doaram R$ 112 mil ao atual prefeito —um quinto das receitas até agora. As doações foram espontâneas, segundo a campanha.

Em Fortaleza, secretários e servidores municipais chegaram a doar R$ 78 mil ao PDT, recurso direcionado à campanha de reeleição do prefeito Roberto Cláudio (PDT).

Depois que as doações foram tornadas públicas, a coordenação de campanha pediu o estorno do dinheiro “para evitar polêmica”, segundo a assessoria do prefeito pedetista. A verba continua com o partido.

Em Belo Horizonte, o vice-prefeito e candidato Délio Malheiros (PSD) tem a maior parte da sua receita, R$ 500 mil, doada por Regina Lacerda, mulher do prefeito Marcio Lacerda (PSB).

A assessoria do candidato, que não foi a primeira escolha de Lacerda para tentar a sucessão, afirma que a doação é porque a primeira-dama “acredita nas propostas”.

Advogado criminalista, o deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB) arrecadou mais de R$ 300 mil de colegas de trabalho. Outros R$ 900 mil são do próprio bolso.

“Com a situação atual e a dificuldade em arrecadar dinheiro, ele teve que pedir doações aos seus amigos, ao seu círculo próximo”, diz a campanha de Pacheco.

Outro que doou recursos à própria campanha é João Doria, candidato tucano em São Paulo, que contribuiu com R$ 1,23 milhão. Orlando Bolçone (PSB), candidato em São José do Rio Preto (SP), doou R$ 100 mil para si.

JANTARES

Organizar jantares é outra estratégia. Mas, com o país em crise e a militância dos partidos desmobilizada, a adesão tem sido baixa.

Maria Victória (PP), que disputa a prefeitura de Curitiba, organizou um jantar para receber mil pessoas, a R$ 1.000 o convite.

Na véspera, haviam vendido menos de cem. A campanha teve que adiar o evento e reduzir os convidados. Foram 400 pessoas, ao final.

Candidata em Salvador, Alice Portugal (PC do B) fez um primeiro jantar com ingressos a R$ 1.000. Diante da baixa procura, fará um segundo na próxima semana com preços a partir de R$ 100.

“Campanha é assim, vai até onde o chapéu alcança”, diz Alice, e, que ainda pretende organizar um almoço.

Em Porto Alegre, o atual vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB) arrecadou mais da metade do caixa com um jantar: foram R$ 178 mil.

Quem adere, na maioria das vezes, são parentes e amigos, candidatos a vereador, apoiadores políticos, assessores ou servidores públicos e funcionários do candidato.

Em partidos com bom número de militantes, a doação pela internet é uma esperança. Em Curitiba, o petista Tadeu Veneri conseguiu R$ 15 mil até agora. Foram 70 doações, entre R$ 20 e R$ 1.000.

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