17:41Breu

por Fernando Muniz

        “Filhinha, não sei se em outros planetas tem gente feito nós” – a mulher tenta acomodar a menina junto a si, enroladas em um cobertor, a mirar o universo do deck da casa de campo.

            A garotinha olha para o céu sem nuvens, logo acima da copa das árvores, impressionada com o espetáculo. “Mas tem tanta estrela no céu, será que ninguém mora lá?”

            “Pode ser que sim, querida” – a mãe puxa a manta e arruma as duas. Olha as estrelas um tanto apreensiva – vem à mente o roteiro inverossímil de um filme qualquer, de ficção científica. Logo balança a cabeça, em descrédito.

            “Mas será que eles sabem que nós moramos aqui?”. A garotinha coça a cabeça e a mãe se enche de ternura por aquela curiosidade, faz carinho na sua orelha e a aperta contra si.

            “Já tentamos vários contatos; mandamos satélites, sinais de rádio, de televisão, até música mandamos” – explica em um tom professoral. Quem sabe ela fica quieta.

Mas a menina não se cansa. Tudo tão imenso, misterioso. Abraça a mãe com força.

            “Vai ver eles não querem saber de nós…”.

E suspira, com frio.

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