18:23Brasil, 1º de abril

Da coluna de Carlos Brickcmnan

Ao contrário da História, que acontece como tragédia e se repete como farsa, a mentira acontece e se repete como farsa trágica. A história da prisão dos amigos de Temer (que, pelo jeito, logo não terá nem com quem comentar A Família Adams) é exemplar: foi detida uma das donas da empresa portuária Libra; foi detido o advogado José Yunes, suspeito de fazer a ponte entre as portuárias e seu amigo Temer; foi detido um dos donos da Rodrimar, outra portuária. Há investigações sobre eles, mas há uns vinte anos se ouvem histórias sobre as boas relações entre Temer e o porto. O alvo não é só Temer, em fim de carreira. Há a Odebrecht, sempre ela. E quem assinou a lei que beneficia a Odebrecht, Dilma Rousseff.

A história real começa lá por 2003, quando a Coimex comprou uma área fora do porto para erguer um terminal. Era ilegal: terminal, só em área de portos. A Coimex, com problemas, vendeu o terreno à Odebrecht, que não deu bola para a ilegalidade. Construiu um terminal de contêineres, o Embraport, sem investir um centavo: o financiamento foi do FI-FGTS, estatal, com os menores juros do país, no máximo 3% ao ano, e do BID, internacional, com garantia do Governo. Total, como levantou o repórter Cláudio Tognolli: R$ 1,8 bilhão, mais US$ 768 milhões, numa obra que não podia ser usada. Inaugurou o terminal em julho de 2013. E só em setembro Dilma assinou a lei que autorizava portos em terrenos privados.

Os fracos e os fortes

Os envolvidos no enredo atual, parte dos últimos amigos ainda soltos do presidente Temer, são uma parte do alvo. A outra parte, bem mais interessante, é saber como a Odebrecht conseguiu dinheiro oficial, a juros de amigo, para construir uma obra fora da lei: e como é que o Governo, sabendo que a obra estava fora da lei, garantiu o empréstimo internacional. E quem foi o gênio da bola de cristal que adivinhou que a lei regularizando terminais em terrenos fora do porto sairia tão pouco tempo depois que aquele terminal ficasse pronto. Mãe Dinah perde de 7×1!

A Operação Lava Jato mostrou que a Odebrecht tinha pago, por favores na área em que estava interessada, propinas de R$ 137 milhões.

Mas seria maldade atribuir a isso a coincidência na assinatura da lei por Dilma com a data da conclusão do terminal. Tudo não deve ter passado de coincidência.

(www.brickmann.com.br)

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