21:46ALDIR BLANC

Na primeira febre a minha febre
e quem é quem pedindo proteção?
Ponho a mão na testa do meu neto
e é meu avô estendendo a mão.
(Acalanto para os netos)

As coisas que eu sei de mim
tentam vencer a distância
e é como se aguardassem
feridas numa ambulância.
As pobres coisas que eu sei
podem morrer, mas espero,
como se houvesse um sinal
sem sair do amarelo…
(Transversal do tempo)

Foi, quem sabe, esse disco
Esse risco de sombra em teus cílios
Foi ou não meu poema no chão
Ou talvez nossos filhos
As sandálias de saltos tão altos
O relógio batendo, o sol posto, o relógio
As sandálias, e eu batendo em teu rosto
E a queda dos saltos tão altos
Sobre os nossos filhos
Com um raio de sangue no chão
Do risco em teus cílios
Foram discos demais, desculpas demais.
(Altos e baixos)

O amor
é um mascarado:
a patada da fera
na cara do domador.
O amor
sempre foi o causador
da queda da trapezista
pelo motociclista
do globo da morte.
(Falso brilhante)

Perder um amigo
perder o encontro
marcado e marcar-se
com a perda do espelho
nos olhos do amigo
onde melhor
conheci minha face.
(Perder um amigo)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>