16:14Academia Sueca mandou bem

por Ivan Schmidt 

O romancista Kazuo Ishiguro, nascido no Japão e mais tarde optando pela cidadania britânica, autor dos magníficos romances Os vestígios do dia O marinheiro que perdeu as graças do mareditados no Brasil pela Editora Rocco nos anos 90, se não me falha a memória, é o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura referente a 2017.

O ganhador do ano passado foi o poeta e músico Bob Dylan, que na data marcada pela Academia Sueca fará a entrega do prêmio a Kazuo Ishiguro, certamente uma das escolhas mais acertadas do Nobel de Literatura dos últimos anos.

O autor nipo-britânico, é óbvio, escreveu vários romances (alguns adaptados para o cinema) e, curiosamente, ao lado de outro ficcionista de grande sucesso nascido em Trinidad Tobago numa família de imigrantes hindus – V. S. Naipaul – também cidadão inglês, tornou-se um dos mais lidos na Inglaterra e nos demais países em que sua obra foi traduzida, a exemplo do Brasil.

Alguém poderia afirmar com segurança em se tratando da literatura inglesa, que ambos os autores sucederam a brilhante geração anterior de romancistas que teve expoentes notáveis em Somerset Maughan, D. H. Lawrence, E. M. Foster, Graham Greene e Doris Lessing, entre tantos.

Assim como Dylan foi premiado e só quatro meses depois apareceu para receber o prêmio de US$ 1 milhão ou R$ 3,15 milhões, ou ainda para arredondar a informação, oito milhões de coroas suecas (mandou um representante para a cerimônia), espera-se que o excêntrico superstar norte-americano compareça pontualmente na data em que Ishiguro será homenageado.

Desde sua criação em 1901, segundo o diário El País publicado em Madri, o Nobel de Literatura premiou 113 autores, entre eles, 14 mulheres. No gênero prosa, o mais reconhecido pela Academia, 76 foram os laureados, com 28 autores de língua inglesa, 14 da francesa, 13 do alemão e 11 do castelhano.

O primeiro autor hispânico a ganhar o prêmio mais importante da literatura mundial foi o espanhol José Etchegaray (1904), seguido por Benavente, Juan Ramon Jimenez, Vicente Alexandre e Camilo Cela. Lembra o jornal que os chilenos Gabriela Mistral e Pablo Neruda estão na prestigiada lista, assim como o guatemalteco Miguel Angel Astúrias, o colombiano Gabriel Garcia Marquez, o mexicano Octavio Paz e o peruano Mario Vargas Llosa, que completam o rol de autores de língua castelhana premiados com o Nobel.

Até agora o solitário representante do idioma português é o falecido José Saramago, autor entre outros títulos de enorme aceitação por parte do público, de Ensaio sobre a cegueira e O Evangelho segundo Jesus Cristo.

Nos últimos dias antes do anúncio do ganhador do Nobel de Literatura 2017, como é de praxe nas casas de apostas londrinas, os favoritos eram o queniano Ngugi Wa Thiongo e o japonês Haruki Murakami, sendo esse considerado o maior escritor japonês da atualidade. Também a canadense Margaret Atwood, o poeta sul-coreano Ko Un e o chinês Yan Lianke figuraram nos palpites dos apostadores.

Por enquanto a literatura brasileira ainda não despertou a sensibilidade dos membros da Academia Sueca e, se não ganhou quando Jorge Amado, Érico Veríssimo, Clarice Lispector e Mário Quintana, para citar uns poucos, estavam vivos e no auge de sua produção, agora ficou muito mais difícil.

Todavia, com meus sinceros parabéns à turma de Estocolmo pela retumbante indicação de Kazuo Ishiguro, me atrevo a lembrar pelo menos dois nomes de autores brasileiros dignos do Nobel: Rubem Fonseca e Nélida Piñon. Que os céus e as casas de apostas de Londres nos ajudem!

2 ideias sobre “Academia Sueca mandou bem

  1. zangado

    Aos quais acrescento Dalton Trevisan. Porque não? Mas o Nobel é uma fantasia que não preocupa muitos escritores de peso no mundo inteiro. E eles não deixam de ter suas razões.

  2. Ivan Schmidt

    Confiei na memória (beco escuro traiçoeiro, segundo Machado de Assis) e mais uma vez me dei mal.
    Peço desculpas aos leitores, mas errei feio em atribuir também a Kazuo Ishiguro a autoria de “O marinheiro que perdeu as graças do mar”. Nada disso, o verdadeiro autor é o também nipônico Yukio Mishima, aquele do haraquiri…a editora do livro é também a Rocco, mas o mesmo está fora de catálogo há anos. Mas o erro está reparado…

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