6:29A política é como a nuvem

Por Ivan Schmidt 

Os principais pré-candidatos ao governo do Estado – Cida Borghetti, Ratinho Jr e Osmar Dias – até mesmo por estímulos naturais da passagem do tempo cronológico daqui até o dia da eleição em primeiro turno, recrudescem o esforço pessoal no sentido de colocar-se sob a luz dos holofotes.

Cada um com sua idiossincrasia e comportamento típico busca garantir espaço na mídia, embora os temas em exposição repetitiva se atenham a questiúnculas sobre apoios e/ou filiação partidária, como é o caso do ex-senador Osmar Dias, sem a menor referência a questões de fundo que verdadeiramente interessam (ou deveriam interessar) os eleitores.

A vice-governadora Cida Borghetti, que não esconde ter o projeto político de chegar ao governo acalentado há muitos anos tem na pessoa do marido, o ministro Ricardo Barros, o maior incentivador e, ao mesmo tempo, o maior cabo eleitoral que não poupa um só minuto da intensa atuação político-partidária e administrativa a frente da pasta que opera um dos mais opulentos orçamentos do governo federal, especialmente quando percorre o Paraná em cujo território esteve mais de 60 vezes nos últimos meses, para lembrar que sua mulher é pré-candidata.

Diz-se sem o menor rodeio que o ministro é incansável na pressão exercida sobre o governador Beto Richa, reconhecido como o grande eleitor paranaense em 2018, a quem assedia com a renúncia ao cargo e a candidatura ao Senado, naquela que seria a eleição mais fácil dos últimos tempos no Paraná.

A estratégia do ministro é tão sutil quanto a movimentação de um orangotango em loja de cristais, e se atrela na suposta verdade de que com a saída de Beto do governo e a posse de Cida, sua candidatura seria não apenas sacramentada, mas ela teria a vantagem de fazer a campanha no exercício do cargo e com a caneta cheia.

Do outro lado aparece o deputado e ex-secretário Ratinho Jr, que a essa altura parece conformado com a indefinição do governador quanto a apoiar sua candidatura, ele que integrou o governo com o objetivo de fortalecer a pretensão de governar o Estado, mas que agora se percebe prestes a ser relegado à própria sorte.

A impressão que se tem é que Ratinho tem sido instado por operadores políticos do governador Beto Richa a buscar um acordo com a vice-governadora, dando a entender que o procedimento ideal seria conceder a primazia da candidatura à senhora Barros, com o que se evitaria o desgaste político de Beto, abrindo larga avenida para sua candidatura ao Senado.

Caso contrário, e o deputado Ademar Traiano, presidente da Assembleia Legislativa, já afirmou com todas as letras, o governador cumprirá o mandato até o último dia, deixando ambos os candidatos por conta de suas vantagens e recursos políticos inerentes. Mesmo que o gesto signifique a interrupção temporária de sua carreira na vida pública.

Ratinho Jr promete para breve a revelação de seu projeto de governo, que numa visão bastante preliminar pretende abranger todas as regiões do Estado e, por extensão, toda a sociedade. Cida e Osmar nada falam sobre isso, pois ainda não conseguiram remover todos os obstáculos, embora a vice-governadora afirme a todo o tempo que disputará o governo qualquer que seja a condição.

Filiado e presidente regional do PDT, Osmar afirma que deverá permanecer nesse partido apesar da possibilidade de migrar para o Podemos, legenda pela qual o irmão Álvaro deverá concorrer à presidência da República com seu apoio, alternativa que o ex-senador considera inarredável.

Sem contar o esforço do deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli, líder do governo na Alep, em oferecer a Osmar a legenda do PSB e a candidatura governamental por um dos partidos que apoiam o governo. Para aceitar o convite, no entanto, Osmar não abriria mão do apoio a Álvaro, mesmo diante da intenção já declarada pelo PSB de disputar a eleição presidencial com candidatura própria.

Como dizia uma velha e felpuda raposa mineira, a política é como a nuvem. Quando você olha está de um jeito e dali a poucos segundos já está muito diferente.

4 ideias sobre “A política é como a nuvem

  1. Sergio Silvestre

    Quem disse isso foi um velhote que morreu na hora certa ,senão seria como o Neto que ele cagou na politica,esse velho murista ,Tancredo Neves fez tanto mal a Minas como os Sarneys fizeram ao Maranhão;

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