7:28A era do Rádio

por JamurJr

Seis horas da manhã e o Abel Scussiato já começava a fazer barulho para acordar os curitibanos com bom humor e alegria. Logo depois Artur de Souza iniciava sua tradicional Revista Matinal, contando pra gente o que aconteceu na noite anterior, quem morreu e como ia ser o dia. Na Emissora Paranaense, Leal de Souza apresentava Joias Musicais, um desfile de música erudita muito bem selecionada – a audiência era invejável. Na B-2, Sergio Fraga  fazia desfilar os maiores sucessos do cancioneiro popular. Era o momento para se ouvir Orlando Silva, Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Silvio Caldas e tantos outros excepcionais intérpretes da melhor musica popular brasileira. Guido Padovani, um italiano que amava o Brasil, apresentava na Radio Colombo o “Qui Parla Roma, um programa dedicado ao melhor da música italiana. Na Radio Guairacá, Humberto Lavalle interpretava os maiores compositores da musica clássica, num auditório lotado, que assim continuava quando Belarmino e Gabriela entravam com música sertaneja de raiz. Era a vez das Mocinha da Cidade, Linda Curitibana e tantos sucessos da dupla famosa que soube valorizar o talento local. O teatro tinha espaço nobre na programação radiofônica, onde brilhavam artistas com Ary Fontoura, Odelair Rodrigues, Sinval Martins e muitos outros. A B-2 foi campeã da radionovela onde revelou alguns dos melhores atores e atrizes do Paraná.  Aluizio Finzeto era o comandante do Clube Mirim na Guairacá onde talentos de menor idade davam os primeiros passos  no caminho do sucesso. Às 18h, Hora do Angelus, Lourival Portela Natel rezava a Ave Maria  acompanhado por milhares de ouvintes em todo o Paraná. O rádio, de tantas atrações, era a principal fonte de informação da população. Na B-2, Milton Luiz Pedreira,apresentava o Prosdócimo Informa, noticioso famoso e de grande audiência. Na Guairacá era Julio Xavier Vianna o responsável pela excelente apresentação do Correspondente Minerva, com várias audições  durante o dia. A noite destacava-se o Grande Jornal Cultura, que reunia uma equipe de quatro locutores na apresentação – com Garcia Redondo comentando a política local e Osman de Oliveira com sua Tribuna Volante, que valorizava o programa com belas entrevista. No final da noite um momento de romantismo com Souza Miranda e seu Rosa de Tango, onde o famoso locutor apresentava as mais pelas poesias brasileiras e uma coleção de tangos argentinos. Bons tempos em que o rádio era a casa dos melhores profissionais do setor. Seus dirigentes tinham como meta principal ser o melhor, para conseguir a maior audiência. Hoje, infelizmente, o rádio deixou de ser um veiculo de comunicação independente, onde só os melhores tem espaço, para se transformar em palanque  de muitos candidatos a celebridade que pretendem conquistar um cargo eletivo, ou ” religiosos” com suas pregações nem sempre bem recebidas pelo grande público, que ainda considera este veículo de comunicação com idade centenária o grande companheiro de todas as horas.

3 ideias sobre “A era do Rádio

  1. Sergio Silvestre

    Tenho do das crianças de hoje que não conhecem um estilingue,nem sabe como dar um mergulho no poção ou brincar de médico atrás da casa com Aninha.

  2. walter schmidt

    Ao lado de todos esses nomes que Jamur Junior citou, falta um. Falta exatamente o dele, Jamur, um dos maiores radialistas paranaenses. Jamur viveu o rádio como poucos. Belo texto.

  3. Ivan Schmidt

    Dizem por aí que as emissoras AM serão extintas… muito provavelmente em função dessa visível decadência de um veículo que fez história, conforme a maravilhosa crônica do Jamur Junior, que conheci como apresentador do espetacular Show de Jornal, da TV Iguaçu, nos anos 70.

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