17:51ZÉ DA SILVA

Tem um mar esmeralda que me invade. Mas ao dar as costas para ele… O esgoto a céu aberto, o fedor e jovens com carros tocando pancadão nas enormes caixas de som que até carregam em carretas. Crianças de chinelo não sentem mais o cheiro de merda. Curtem o som. O mar esmeralda me acompanha na estrada. Paro e vejo o serrote de um peixe encostado num canto de sala. No outro, a vértebra de uma baleia e, ao lado, outros ossos. Alguns parentes estão se acabando na cachaça. Os dentes caíram faz tempo. O açude está seco com uma manta verde cobrindo a lama. Uma vaca magra observa no cercado. Ao lado, um lagarto enorme foge para o que sobrou de mato. Me contam que outro dia espancaram um num pé de pau. Para comer, mesmo sem necessidade. A maldade. Mergulhei na pedra preciosa líquida. Olhei. Pedi. Não posso fazer mais nada. Uma onda passou por cima. Acariciou as costas. Estou protegido. Já é alguma coisa.

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