6:11We are the world

por Thea Tavares

Férias da galera quase no fim e pelas redes sociais a gente pega carona nas fotos postadas, conhecendo ou revisitando os lugares por onde amigos passaram e se divertiram aos montes em poses e selfies-ostentação. Quem por algum motivo não saiu de casa, pode perceber que Curitiba é um Ó, mas um Ó em que cabem todas as culturas do mundo. Na base do copia e cola, a gente viu essas referências sendo estabelecidas pelos endereços da cidade a dentro. Rende um baita passeio essa pesquisa “georreferenciada”, por assim dizer.

Foi um instrutor de educação física que chamou a atenção. Mas o roteiro que ele traçou destoa completamente do que foi projetado por gestores da cidade ao longo de diversas administrações. É mais calcado no descontentamento de quem precisa há anos sair de férias, mas que não conseguiu ainda tirá-las. Não precisa ficar invejoso de quem foi para Cancún, uma vez que temos aqui o “Cancumprido”, diz ele. Quer se sentir dando voltas nas rotatórias de Roma ou na do Arco do Triunfo em Paris? O Centro Cívico tem opções que, nas suas devidas proporções, foram idealizadas para simular esses cartões postais. Qualquer boa vontadezinha hercúlea vai permitir enxergar a semelhança. Claro que, com a pouca movimentação nas repartições públicas dali nessa época, se imprimir uma velocidade mediana no veículo, a quantidade de voltas será enorme e a tontura, imediata. Mas não se pode dizer que não existe a opção. Depois a gente não sabe porque curitibano é do tipo caseiro, aff!

Vamos apurar e tocar adiante! Pra quê a pessoa vai se corroer de vontade de se desembestar até uma Fontana di Trevi, quando pode despender bem menos esforço para passear no Cavalo Babão, apelido carinhoso do chafariz da Praça Garibaldi, no Largo da Ordem? Vai descobrir que o nome oficial do monumento, que ninguém guarda, é “Fonte da Memória”. Piada pronta! Os mata-burro, as pinguelas de Curitiba e o famigerado viaduto estaiado sobre a Avenida das Torres, que custou o zóio da cara e é de uma estética razoavelmente questionável, também devem fazer inveja para algum turista. Turista sabe-se-lá de onde, mas é certo que sempre vai existir alguém mais cagado que a gente.

Seguindo nessa linha e reduzindo os custos da viagem, até que se poderia chegar no litoral. Só que não tem graça nenhuma citar as prainhas do Boqueirão ou de qualquer parque da cidade porque, assim como boa parte da nossa faixa costeira – e este ano, por conta do vazamento de óleo em praias paradisíacas do Nordeste, inclusive lá -, elas são impróprias para banho. Mais do que impróprias por motivos sanitários, são perigosas mesmo. Vivem afogando os desavisados.

Queria ir para a Suíça? Tem um ônibus que faz a linha do centro da cidade até a Vila Suíça! Extremamente prático. Não para turista e nem para quem não possui o cartão transporte de pagamento da passagem nessa linha da rede integrada. Não embarca nem com reza braba. Digamos que consiga empreender a viagem, convém levar blusa. Em se tratando desta terrinha e como bem diz um meme de internet, aqui é o Paraná, esfria meio que de vereda. E olha que Curitiba não tem uma única Suíça pra visitar, não. Afinal, a Suíça mesmo, com quatro idiomas oficiais (o alemão, italiano, francês e o romanche, quase em desuso), é referência de tolerância e de respeito à soberania dos seus cantões confederados, que têm a liberdade de manterem-se fiés às origens do seu povo. Dito isto de maneira esnobe, outro pedaço dessa nação que você vai encontrar de férias em Curitiba é a Galeria Suissa, cuja grafia da palavra não foi inspirada e é muito anterior ao léxico praticado pelo atual ministro da educação. Se bobear, encontra-se ali no espaço comercial relógios e chocolates para levar pra casa. Se bobear, não. Com certeza! Não sei dizer se é possível achar queijo também.

Vou parar por aqui. Seja do roteiro turístico por excelência da cidade – merecedor só ele de uma análise crítica completa, que apresente os pontos interessantes e aqueles “para inglês ver” -, seja por essa abordagem mais dor-de-cotovelo, há muito ainda, uma infinidade de coisas, para se destacar, a fim de reforçar a tese de que nesse Ó de Curitiba cabe a tradição do mundo inteiro, com menos investimento para a nativa. E que com criatividade, bom humor e bastante azar, é possível dar a volta ao mundo sem sair deste chão, que foi batizado com o intuito de identificar uma terra onde existiu em passado remoto muito pinhão.

 

 

3 ideias sobre “We are the world

  1. Paulo Roberto Burmester Muniz

    Li, reli.

    Não encontrei nada interessante, nem nas entre linhas.

    Modorrento e com um pouco de soberba.

    Nenhuma inspiração de quem o escreveu.

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