7:33No mar, com neblina

É como estar no mar, remando, sem saber em que parte e em que oceano estamos. A neblina densa toma conta de tudo. No barco a loucura tomou conta de alguns. Mas há dois tipos – e estes brigam como se a morte do oponente fosse abrir o caminho. Os sensatos olham e continuam remando, porque os outros ouvem vozes que indicam o caminho, como guias que imaginam ter este conhecimento, mas são mais loucos porque sempre dominados por este poder que os ensandecidos lhes dão. A neblina pode se dissipar com um sol radiante em céu azul, mas há o perigo de tempestades, comuns de vez em quando nesta parte do sul do planeta. No porão do barco há o povo gado, mantido na ignorância de tudo desde sempre. Por não saber, não há motim. Não sabem nem que são a energia que move o barco. Os que se matam um pouco acima, postados à esquerda e à direita, acham que sabem alguma coisa, mas provam que este tipo de ignorância é uma doença incurável. Os sensatos tentam, mas às vezes um ou outro é jogado ao mar por não fazerem parte das manadas e criticarem as vozes que são obedecidas como se fossem mantras da salvação impossível. O mar mete medo para quem enxerga um pouco através da neblina. Se há algo de positivo é que o barco não afunda. Nunca, apesar de tudo.

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