9:28O serviço da casa

de Rogério Distéfano, no blog O Insulto Diário (http://www.oinsultodiario.com/)

Michele Bolsonaro deu entrevista à TV Record. A rede se credencia para apoiar o governo de extração evangélica, primeira dama e primeiro marido evangélicos. Michele rompe o padrão das primeiras damas: fala ao público. Seja em palavras, seja em gestos. Começou com gestos, atravessando-se no discurso de posse do marido com seu discurso em Libras. Michele se assume como o lado humano do marido. O marketing de sempre.

Sem querer comparar uma à outra, apenas resgatando o paradigma histórico: a última primeira dama a falar, solicitada ou não, apropriadamente ou não, foi Dulce Figueiredo, mulher do último general presidente da ditadura. Antes, só Nair de Teffé, que mandava no marido, presidente-general Hermes da Fonseca, que também obedecia ao senador Pinheiro Machado.

Quase dizia “não creio em bruxas”, mas alguém pensaria que chamo Dulce e Michele de bruxas. Nada disso. Mas chamo de anjo a anterior, Marcela Temer. Louvo Ruth Cardoso, primeiro por só falar – e bem – o que devia e aguentar o marido, o poço de vaidades. A que Michele veio na entrevista à TV Record? Ao mesmo de sempre, dar imagem e voz de primeira-dama aos erros e inconsistências do marido. Fez o serviço da casa, nada mais.

Criticou a imprensa, o que o marido faz em uma entre três manifestações públicas. É injustiçado e não compreendido – como Lula e sua “mídia golpista”. Defendeu a escolha de amiga para cargo público, aquela coisa brasileira de o amigo ser o único na espécie. Tocou de leve na caca de Flávio, o enteado, em cima do pai: os R$ 40 mil de Fabrício Queiroz que caíram em sua (dela, Michele) conta bancária.

A primeira dama repetiu o refrão do marido. O cheque foi pagamento do empréstimo de Jair a Fabrício. A segunda estrofe do refrão canhestro: que Jair não tinha tempo de ir ao banco e repassou-lhe o cheque. O entrevistador deixou convenientemente de perguntar se a filha de Fabrício, assessora de Jair, não podia ter feito o depósito. Mas isso não interessa, é apenas uma dobra da verdade, que ninguém vê, ninguém quer ver.

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