18:52Decreto das armas é um vexatório atestado de incompetência do Estado

por Ranier Bragon

Em solenidade com ministros e a fina flor da bancada da bala, o presidente Jair Bolsonaro assinou nesta terça (15) o decreto que afrouxa as regras para a posse de armas, sua primeira canetada com capacidade de afetar de forma relevante e concreta o dia a dia das pessoas.

Estudiosos não apostam um tostão furado no sucesso da medida. Ao contrário, alertam para a probabilidade do aumento da violência e para um cipoal de situações potencialmente desastrosas, como indicam a racionalidade e o bom senso.

Detalhes do texto ainda serão conhecidos, o que mantém a esperança de que Sergio Moro possa, talvez, ter freado um pouco o ímpeto do bolsonarismo raiz. O ministro da Justiça prepara ainda medidas de endurecimento das leis penais —prática a que o Congresso se dedica periodicamente, em momentos de comoção—, mas a pressa, apenas 15 dias, e a pompa indicam o que o presidente de fato acredita ser eficaz.

Não importa que a segurança pública seja uma atribuição majoritária dos estados, Bolsonaro foi escolhido por um eleitorado amedrontado, horrorizado ou revoltado com o que sofre nas ruas e com o que vê no noticiário —e mediante a promessa de colocar um ponto final “nisso aí”.

Essa sensação de “basta” tomou força com a inestimável ajuda de setores da esquerda que fizeram de tudo para barrar até propostas plausíveis, como o endurecimento das medidas contra adolescentes que cometem crimes graves.

Bolsonaro passou boa parte de suas três décadas como deputadopropalando a ideia de que o único meio de combater a criminalidade era massificar a esterilização de pobres. De uns tempos para cá, abraçou a “solução bangue-bangue”.

A aposta de armar os cidadãos coloca sobre as costas de seus realizadores uma responsabilidade considerável. E passa indiretamente a mensagem de fracasso do país na tarefa de garantir a segurança dos cidadãos. Lança-se o “decreto das armas”, mas pode chamar também de atestado geral da incompetência do Estado.

*Publicado na Folha de S.Paulo

6 ideias sobre “Decreto das armas é um vexatório atestado de incompetência do Estado

  1. Ademar Luiz Vieira

    62000 assassinatos ao ano e por armas contrabandeadas sem registro e de posse dos comunistas traficantes.
    Viva o presidente.

  2. Parreiras Rodrigues

    A Oposição persiste na insana missão de esculhambar o fruto dela própria, o governo que ai está. Pois ninguém votou em Bolsonaro. Todo mundo votou no cara contra o PT e pronto.

    E ignora as normas estabelecidas pela Lei do 38. Não se vai sair por ai comprando trabucos como se pede uma Original no Armazém do Pepino, nos moldes do Tio Sam.

    Doravante, neguinho e branquinho pensarão duas vezes antes de encostar um simulacro (será simulacro de revólver?) nas minhas costas e pedir o meu Azus 4 G. Na segunda vez, disfarçara e irá embora de fininho: Vai que esse doido tenha um de verdade, pensará.

  3. Mito

    É o velho chavão do copo meio-cheio versus copo meio-vazio; cada um o vê como lhe serve a carapuça ou lhe aconselham os botões.
    O Estado é, de muito tempo, incompetente na saúde, na educação, na segurança, na promoção da igualdade, etc., etc., etc…
    Afirmar que o dito decreto é um atestado de incompetência é, isso sim, um atestado de vil ignorância pois se quer atribuir a um único ato a responsabilidade e causa de inúmeros problemas (já existentes, ressalte-se). Ato, aliás, para o qual “estudiosos” vários possuem argumentos sólidos tanto para defende-lo quanto para ataca-lo.
    Segurança pública é um problema complexo para o qual o cidadão, armado ou não, jamais terá uma solução isolada e definitiva.
    “O dado real e concreto” é que quando a caça está armada, o caçador dorme com fome.

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