7:32Tropa bolsonariana tropeça na saída

por Célio Heitor Guimarães

Bate-cabeças é comum no início de todo governo. Sobretudo em governo sem nenhuma prática administrativa, com falta de liderança e excesso de vontade de aparecer. Mas o que tem ocorrido nesta fase inicial da jornada Bolsonaro, começa a preocupar. Sobretudo porque o desastrado matraquear tem partido, em regra, do próprio presidente.

Se me permitem a intromissão, está na hora de alguém segurar a língua do capitão. Ele levanta pela manhã lá no Alvorada entusiasmado com o cargo e deita falação, que precisa ser desmentida, corrigida ou adaptada logo em seguida por ministros e porta-vozes subalternos. O homem precisa ser avisado que já não está mais em campanha, e sim na presidência do País e que qualquer coisa que diga tem repercussão imediata.

Anunciou que havia assinado a redução da alíquota do IR e o aumento do IOF, e tirou da cama assustado o Secretário da Receita Federal. Obrigou também o ministro da Casa Civil e porta-voz de plantão a um equilibrismo verbal para concluir que o presidente havia se equivocado, e a assinatura referia-se à prorrogação dos incentivos à Sudene e à Sudam – o que nada tem a ver uma coisa com a outra. O mesmo aconteceu com a anunciada mudança na reforma da previdência, com a redução das idades para a aposentadoria. E lá veio o gaúcho Onyx com nova prestidigitação interpretativa.

A anunciada mudança da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém, exigida por lideranças evangélicas (!), passou a sofrer resistência dentro do próprio Palácio do Planalto. O ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, com o bom-senso que parece faltar aos paisanos governistas, acha a medida precipitada e não conveniente no momento. A conclusão coincide com o gentio cá da planície.

O mesmo acontece com a instalação de uma base militar norte-americana no Brasil. Bolsonaro, logo depois de ter sonhado com Trump, anunciou a iniciativa. Foi o que bastou para que milicada nacional se alvoroçasse. Na opinião de três generais e três oficiais superiores, ouvidos pelo Estadão, “a possibilidade de o governo do Brasil ceder espaço territorial para instalação no País de uma base militar dos Estados Unidos é desnecessária e inoportuna”.

Um dos chefes de tropa lembrou que acordos desse tipo só se justificam quando há risco de agressão externa fora da capacidade de reação e capaz de colocar em perigo a integridade da nação. “É o caso do menino fraco que chama o amigo forte para enfrentar os valentões da rua; estamos longe disso” – exemplificou.

E assim, aos trancos e barrancos, vai caminhando a caravana bolsonariana neste início de governo. Nem vou me referir aos tropeções diários da paranaense “Dilma…res” Alves, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, aquela do “menino veste azul e menina cor-de-rosa”, porque seria covardia. Cheia de ideias e de entusiasmo, língua incontrolável, a pobrezinha tem tudo para durar pouco na Explanada dos Ministérios. Há quem garanta que já subiu na frigideira… Outro no mesmo caminho é o chanceler Ernesto Araújo, aquele que pretende “despetizar o Itamaraty” e quando fala ninguém entende.

Põe ordem na tropa, excelência! E um cadeado na língua.

 

5 ideias sobre “Tropa bolsonariana tropeça na saída

  1. SERGIO SILVESTRE

    Pois é Célio ele sendo um rocim indomado numa sala de cristais ,não é nada perto do que está por vir,a forma desastrada como ascendeu ao poder e as escolhas meio civil,meio militar com um plantel já carcomido pela idade e pelas benesses já garantidas pelo resto da vida.
    Outro coisa que um dia virá a tona e esse suposto atentado,foi muito estranho que um sicário escolha uma pequena faca dobrável para assassinar um potencial candidato a presidente,e isso me cheira uma grande conspiração onde foi juntado um ardil e os atores trabalharam para isso com uma garra de ou vai ou racha.
    A forma singela como é tratado ao caso espanta,a PF ora finge fazer algo para não dar na vista e para alguns pensarem estar interessados nas respostas.
    Cade o Adélio?Será que está por ai com 40 virgens sendo guardado por uma dezena de guardas costas pagos pelo erário?
    O Caso da doença do Queiroz assim de repente me deixa mais cabreiro ainda,a mesma equipe médica,o mesmo método do esconde-esconde,as mesmas desculpas esfarrapadas,o mesmo recibo do tratamento que depois eu mostro.Muito estranho está esse começo de governo,existe será fatos fantásticos como esses narrados,ou tudo isso faz parte de algum esboço de livro de ficção que um dia alguém vai escrever.

  2. Paulo R F Motta

    Nada do acontecido surpreende. Tudo foi previsto e avisado durante a campanha eleitoral. Logo vem coisa muito pior pela frente

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