18:01Depois da festa…

Jair Bolsonaro é o novo presidente do Brasil. Hoje foi dia de festa, como em todas as outras posses de todos os outros que o antecederam e assumiram o comando do país pelo voto de confiança que receberam do povo nas urnas. Nos discursos, o capitão da reserva do Exército Brasileiro não desviou um milímetro de tudo o que falou na campanha e que abriu caminho para sua vitória, principalmente a pancada nos governos de “esquerda” do PT. No improviso de agora há pouco, depois de ler para o povão no parlatório, mostrou a bandeira brasileira, ajudado pelo seu vice, o general da reserva Hamilton Mourão, e disse que ela jamais será “vermelha”. Completou afirmando que, se for possível, derrama o próprio sangue por isso. Pode-se falar em populismo, governo de direita, etc, o mais certo, contudo, é esperar um tempo para avaliar o desempenho do governo dele, principalmente na economia. Promessas são promessas. Discursos são discursos. Nunca é demais lembrar que o “caçador de marajás” Fernando Collor  recebeu o mesmo apoio (até mais, segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha), e foi cassado em pouco tempo – por roubalheira explícita. Michel Temer, o que passou a faixa presidencial para Bolsonaro, recebeu apoio popular depois que assumiu a vaga da também impíchada Dilma Rousseff, de quem era vice. Deu no que deu: terminou o mandato e poderá ser preso em breve por locupletação. “Brasileiro Profissão Esperança” é mais que um título da peça teatral escrita por Paulo Pontes e levada ao palco em meados dos anos 70 do século passado. É uma realidade que faz a ninguenzada seguir em frente e apostar que dias melhores virão. Agora é a vez do tal “mito” operar milagre. A história mostra que a decepção e o sufoco sempre foram maiores que as alegrias. O retrato fiel do povo brasileiro é o composto por uma casta gananciosa e que vive nababescamente, enquanto a maioria é pobre, ignorante, carente dos serviços mais básicos de saúde – e sem discernimento, pois mantida sob o jugo de uma educação que forma analfabetos funcionais até no terceiro grau. O fosso entre o chamado topo da pirâmide social e a base é cada vez maior. A classe política, com as quais o novo presidente terá de negociar para tentar fazer alguma reforma que preste, é indigente, para dizer o mínimo. A Lava Jato mostrou apenas um nada de tudo que foi formado e forjado em décadas, séculos – e sob a lorota de que isso é um traço de nossa cultura, ou seja, o da corrupção, o da enganação. Jair Bolsonaro era um nada nesta paisagem. Apareceu ao reverenciar um torturador e enaltecer os militares que deram um golpe em 1964 e depois se voltaram para onde nunca deveriam ter saído. O novo governo tem alguns ministros militares da reserva. Reforçam o discurso duro do novo presidente, aquele que repete sempre o gesto de portar duas armas e atirar, além de bater continência. Cada um, cada um. A torcida é para que se respeitem as bases de uma democracia capenga, mas democracia. Os espetáculos patéticos do Judiciário são isso mesmo, mas é um poder, portanto… É preciso preservar a liberdade, um dos pilares da Constituição, para que a coisa não fique pior. Amanhã começa de fato o governo. Daqui a um ano, pode-se ter uma ideia do que, de fato, se concretizou entre a campanha e os discursos de hoje do novo presidente. No fundo, esse foi o aval dado pelos eleitores a Jair Bolsonaro. “Tomara que ele acerte errando” é a melhor frase sobre o personagem e sua missão. O crédito da sacada perfeita é do jornalista Reinaldo Azevedo. Os aloprados de direita e esquerda que ainda se estapeiam e se cospem como imbecis, pois se acham, deveriam baixar a bola e também esperar, afinal, o jogo é lá em cima e o buraco mais embaixo.

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