14:29Ermanno Olmi, adeus

Da FSP, por Sérgio Alpendre

Vencedor da Palma de Ouro, Ermanno Olmi morre aos 86 anos

O cineasta italiano Ermanno Olmi nos deixou na última segunda-feira. Tinha 86 anos e ficou mais conhecido por “A Árvore dos Tamancos”, filme merecedor de alguns textos entusiasmados nesta Folha, em 1979, quando estreou no Brasil após ter vencido a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1978.

Estrearam comercialmente no Brasil, no início dos anos 1990, “Longa Vida à Senhora” (1987) e “A Lenda do Santo Beberrão” (1988), que atraiu alguns desavisados ao cinema por ter no elenco Rutger Hauer, ator de “Blade Runner”.

Depois disso, apesar de algumas presenças em festivais brasileiros, quase sempre sem alarde, e de uma mostra dedicada a ele no CCSP em 2014, teve um único de seus filmes lançado em nosso circuito comercial: “Os Campos Voltarão” (2014).

E se há cineasta subvalorizado na história do cinema, este é justamente Olmi. Realizador de diversos curtas nos anos 1950 para a companhia energética italiana Edison Volta, estreou em longas com o soberbo “O Tempo Parou” (1959), sobre homens que cuidavam de uma represa nas montanhas geladas do norte.

Em seguida vem “O Posto” (1961), lançado em DVD no Brasil, sobre um jovem filho de camponeses que vai trabalhar numa grande repartição de Milão e descobre a vida autômata dos assalariados.

Com “Os Noivos” (1962), seu terceiro longa, encerra a primeira fase de sua carreira e ao mesmo tempo acerta as contas com a segunda geração dos neorrealistas, da qual fez parte e talvez seja o mais radical integrante.

Dezesseis anos —e alguns longas— depois, “A Árvore dos Tamancos”, baseado nas memórias de seu avô, seria um novo acerto de contas com o histórico movimento, o neorrealismo na quintessência e no melhor dos filmes.

São três horas que passam como vinte minutos. Pedaços de vida (ideal do neorrealismo) filmados como nunca antes. A vida de um grupo de camponeses em Bergamo, no final do século 19, com camponeses reais no elenco e diálogos no dialeto local.

A espera é um de seus principais temas. Seja a dos trabalhadores das montanhas (“O Tempo Parou”, “Os Escavadores”, 1970), de um jovem ingressante no mercado de trabalho (“O Posto”), do noivo em crise (“Os Noivos”), do adolescente apaixonado (“La Cotta”, 1967), dos camponeses pela colheita (“A Árvore dos Tamancos”).

Olmi é um dos grandes do cinema italiano, à altura de Fellini, Antonioni, Visconti e Pasolini. Que descanse com a mesma paz que nos deu com seus filmes.

 

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