13:21José Louzeiro, adeus

Da Folha de S.Paulo

Autor de ‘Pixote’ e ‘Lúcio Flávio’, José Louzeiro morre no Rio, aos 85 anos

O escritor, jornalista e roteirista José Louzeiro morreu na madrugada desta sexta-feira (29), no Rio de Janeiro, enquanto dormia.

A informação foi confirmada por Lucimar Rodrigues Silva Vaz, sua cuidadora, que disse que ainda se espera um laudo para determinar a causa da morte. De acordo com ela, Louzeiro estava morando com uma filha, na Barra da Tijuca, e já apresentava problemas de coração e diabetes havia muitos anos. Ele deixa cinco filhos.

Louzeiro era o autor de livros como “Pixote – Infância dos Mortos” e “Lúcio Flávio – O Passageiro da Agonia”, que inspiraram os filmes de Hector Babenco.

Nascido no Maranhão, em 1932, filho de um operário que virou pastor presbiteriano, ele radicou-se no Rio de Janeiro em 1954 – onde faria carreira na imprensa da época, em veículos como “Última Hora”, “Correio da Manhã” e o “Diário Carioca”.

Formado na era romântica da crônica policial carioca, Louzeiro passou a dedicar-se a livros-reportagens, como os que inspiraram o cineasta argentino radicado no Brasil.

“Lúcio Flávio”, por exemplo, surgiu quando ele recebeu na Redação de “O Globo” uma ligação do lendário assaltante de bancos, que queria dar uma entrevista.

Outra obra de bastante repercussão foi a que investigava o assassinato da menina Aracelli, 8, no Espírito Santo, em 1973. No livro, “Aracelli, Meu Amor”, a investigação de Louzeiro apontava como fortes suspeitos dois membros da elite local. O livro acabou sendo vetado pela censura do regime militar.

‘LOURDINHA’ E MAURA

A editoria de polícia lhe renderia “O Homem da Capa Preta”, livro sobre outra figura folclórica do Rio no período, o político e diretor de jornal sensacionalista Tenório Cavalcanti, conhecido pela alcunha que dava título à obra.

Além da capa preta, Cavalcanti era conhecido por andar sempre com “Lourdinha”, sua metralhadora.

Nos tempos de jornalismo, ele foi o responsável por espalhar uma anedota sobre a escritora mineira Maura Lopes Cançado.

Esquizofrênica, a autora ganhou fama por excentricidades na Redação do “Jornal do Brasil” -uma delas, contava Louzeiro, dizia que Cançado havia derrubado de propósito um avião que pilotava porque tinha curiosidade de estar em um acidente aéreo.

Seus relatos sobre a vida da autora, hoje praticamente esquecida – ela matou uma paciente num hospital psiquiátrico e acabou no ostracismo-, são dos mais valiosos para reconstruir a vida dela.

Em outra ocasião, ele contava como Cançado chegou à Redação do “Jornal do Brasil” com um revólver na bolsa, dizendo que ia matar o namorado policial, mas não sabia acionar o revólver 38.

Para não contrariá-la, mas impedir o crime, Louzeiro teria dito que o melhor era matar o homem a pauladas.

Ele ainda foi autor de novelas. Na Manchete, assinou “Corpo Santo” (1987) e “Guerras Sem Fim” (1993). Uma comédia que escreveu para a TV, “O Marajá” (1993), baseada no ex-presidente Fernando Collor de Mello, chegou a ser impedida de ir ao ar.

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