19:18ZÉ DA SILVA

Enfiei a mão no bolso e contei as moedas ali mesmo. Duas de cinquenta centavos. Olhei os pés – unhas grandes e sujas. A roupa, mais ou menos. Bermuda e camiseta, essa bem amassada e com algumas manchas de café. Dava para encarar. Eu queria conhecer o tal shopping de bacanas. Entrei. O segurança engessado num terno preto e escondido por um óculos mais preto, nem te ligo. Entrei e vi uma escada rolante  que me levaria ao céu. Levou. Não, não me encantei com o que as vitrines mostravam, inclusive um vestidinho branco de 32 mil. Meu deslumbramento foi com as pessoas, bonitas, saudáveis, alegres. Todas davam a impressão de não ter problema com a falta de dinheiro – ao contrário. Me senti assim também, porque fazia parte daquilo, naquela hora. Resolvi pedir um copo de água torneiral. Não consegui. Ofereci até meu real. Nada. Vi então dois brutamontes correndo na minha direção. Fugi. Desci do céu ao inferno pelo corrimão. Saí. Chovia muito. Andei sem me importar com nada. Pela primeira vez  na vida me senti incluído. No que, não sei.

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