18:07ZÉ DA SILVA

O menino Jesus apareceu pra mim. Não por causa do tal Natal, mesmo porque, no meu presépio, Maria Madalena sempre esteve presente. Olhei para a bandeira vermelha de mar perigoso e ele estava ao lado, na figura de um magrinho e dentuço de uns 12 anos. Sozinho, calção vermelho, listra branca, como ele se divertia, meu Deus, pai dele! Água pela canela, às vezes se jogava para sua aventura submarina, conversava com Namor, dava um beijo na Sereia, reverenciava Iemanjá e ia mais para a beira, batizado por espumas branquinhas, para tomar entre as mãos o tesouro em forma de areia molhada. Um morro coberto de mata virgem o protegia ali perto. O bando de banhistas, não prestava atenção. Então, alguém o chamou. Não deu para ouvir o nome. Ele olhou e saiu correndo. Antes, porém, fez o sinal da cruz – ao contrário. O imitei. De baixo pra cima. Amém

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