8:50As ervas daninhas da paisagem

O trator pode passar e arrancar algumas ervas daninhas da paisagem política do Brasil. Parece um enredo onde muitos ficam felizes porque nunca antes neste país aconteceu algo parecido – e outros, ainda mais otimistas, acham que os que se livraram da lâmina agora pensarão duas vezes antes de cometerem os tais atos de improbidade. Sob o sol tropical, com a ninguenzada seduzida pela tela mágica dos celulares, a chamada grande imprensa alucinada com o espetáculo da guerra entre alguns bandidos, como se o esfolamento dos estropiados também nunca antes tivesse acontecido, andores são erguidos aos novos heróis, como se procuradores, juízes e policiais federais tivessem saído de um gibi da linha de produção da Marvel e não existissem antes. Aqui, em se plantando tudo dá, mas a Amazônia vai virar deserto enquanto se comemora que o desmatamento diminuiu um tico no ano. Na verdade, o que se plantou mesmo desde a chegada da escória que estava presa em Portugal, se enraizou tanto, adubada pela ganância dos empolados do andar de cima, da Casa Grande, que se transformou em algo explicado pela “cultura” sedimentada pelos anos de escravatura – essa que nunca foi abolida, para negros, pardos, branquelos anêmicos. Ela apenas foi modificada e moldada. Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós é o cacete – e o cassetete baixando no lombo para que exista ordem e progresso. De quem mesmo? Não existe o novo, uma invenção recente da máquina de ludibriar os espectadores, definição perfeita de Lima Barreto para o nosso povo. Basta prestar atenção no que falam os que já estão aí em campanha para tomar conta dos cofres públicos, sempre em conluio com grupos econômicos e abraçados aos poderes todos, pois dali, da dinheirama que corre como rio para a administração pública, é que saem salários e benefícios para todos. A melhor definição para a falta de qualquer escrúpulo dos que tiraram, tiram e vão tirar o dinheiro que serviria para saúde, educação e até a merenda escolar de quem não tem nada na panela de casa, é a de que o que foi lesado não tem rosto. Não vai demorar muito, e os tratores reluzentes de agora serão engolidos ou esquecidos num canto, onde enferrujarão e vão desaparecer como algo imprestável. Servirão então de adubo àquelas ervas que não foram ceifadas agora e que estão espalhadas em todo o imenso território brasileiro, como se fizessem parte de uma paisagem imutável.

 

Uma ideia sobre “As ervas daninhas da paisagem

  1. Sergio Silvestre

    O Maior medo do Marcola é ser roubado pelos políticos brasileiros,disputam cabeça a cabeça quem é o mais letas do Pais.

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