14:50A promoção de Eduardo Saboia, diplomata que peitou o governo de Dilma Rousseff

Do correspondente em Brasília

O presidente Michel Temer promoveu ao andar de cima da carreira do Itamaraty, ou seja, ministros de primeira classe, o porta-voz do Palácio do Planalto, Alexandre Parola, e Eduardo Saboia, aquele que resgatou o senador boliviano Roger Molina de La Paz para o Brasil, em 2013. Eles agora estão bem próximos de assumir embaixadas brasileiras no exterior.

O caso de Saboia é emblemático. O Brasil havia dado o asilo político a Molina mas não conseguiu, por 454 dias, o autorizo do governo de Evo Morales (salvo conduto), aliado do Governo Dilma, para embarque do parlamentar ao Brasil.  Durante este tempo o senador boliviano viveu na Embaixada do Brasil, e por decisão de Saboia houve a organização do resgate por uma comitiva liderada por ele em dois carros da Embaixada brasileira e através de longa viagem.

A então presidente Dilma Roussef puniu os três diplomatas brasileiros envolvidos – Marcel Biato, Eduardo Saboia e Manoel Montenegro, bem como os dois fuzileiros navais que fizeram a escolta embarcada.

Biato perdeu seu posto diplomático na Suécia e tanto Saboia como Montenegro foram deslocados para serviços subalternos no Itamaraty e responderam a sindicâncias internas do Ministério de Relações Exteriores por vingança de Dilma, que também exonerou o seu Chanceler Antonio Patriota.

A oposição ao PT reagiu com vigor às perseguições e o caso Saboia/Molina ganhou relevância nacional. “O Saboia é um caso excepcional. Combateu o stablishment em nome do que julgava (e era) o correto a fazer. A promoção dele é uma grande notícia de final de ano” – afirmou o deputado Luiz Carlos Hauly, vice presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados que cobrou de José Serra, hoje ministro das Relações Exteriores do governo Michel Temer, a reparação aos três prejudicados.

Marcel Biato foi conduzido a representante do Brasil na Comissão da ONU para Controle da Energia Atômica, em Viena, Manoel Montenegro conseguiu sua promoção funcional (que Dilma havia barrado) e Eduardo Saboia foi cedido ao Senado Federal, chegando agora ao topo da carreira diplomática brasileira como Embaixador, promovido por Serra e Temer.

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