7:59MARTELO SÓ PENSA PREGO

marktwainprego

Rogério Distéfano

“A democracia é um sistema que prevê ganhadores e perdedores nas eleições diretas. A tradição de um democrata é reconhecer a derrota, e não articular um processo golpista de impeachment sem medir as consequências para o seu país.

Até agora a eleição americana mostra que os líderes políticos dos Estados Unidos, apesar do acirramento dos ânimos, têm consciência do importante papel do respeito aos resultados eleitorais, como define a Constituição.

Hillary Clinton mostra o espírito de uma liderança de tradição democrática. Mesmo tendo maioria nas urnas, aceitou as regras da disputa eleitoral, reconhecendo a vitória de Donald Trump no colégio eleitoral. Na democracia o que importa é o respeito às regras do jogo.”

 

COMENTÁRIO de Dilma Rousseff no Facebook sobre as eleições norte americanas. Ela continua afiada na falta de fio, como revela no precioso primeiro parágrafo: “A tradição de uma democracia é reconhecer a derrota, e não articular um processo golpista de impeachment sem medir as consequências para o (sic) seu país”. A ex-presidente continua a massacrar a lógica com vigor igual àquele com o qual massacra o idioma.

Dilma é como aquela história do martelo que só pensa prego. As eleições dos EUA trouxeram a vitória de Donald Trump sobre Hillary Clinton. Trump ainda não foi empossado. Então que história é essa de “processo golpista de impeachment sem medir as consequências para o país”? Hillary acaso foi eleita vice na chapa de Trump e manobrou para ele sofrer impeachment?

Hillary Clinton, afirma Dilma, a sacerdotisa do óbvio, “mesmo tendo maioria nas urnas, aceitou as regras da disputa eleitoral, reconhecendo a vitória do adversário”. Dilma confunde parâmetro com parábola, urubu com tucano. Nunca neste Brasil golpista alguém negou que ela Dilma tivesse obtido maioria na votação presidencial. A ex-presidente acaso acha que José Serra recusou aceitar sua eleição?

E, para nos mantermos hígidos intelectualmente, tem as “regras do jogo”, que para Dilma (último parágrafo) é o que importa na “disputa eleitoral”. Quais regras, qual jogo? Tem a regra eleitoral de eleger o mais votado, e tem a regra constitucional do crime de responsabilidade do eleito em exercício. A ex-presidente continua em esquizofrenia política: o eleito, só por ter sido eleito, pode fazer o que quiser.

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