8:17Olhos debruçados

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Rogério Distéfano 

COMPANHEIRA LEITORA, companheiro leitor. Antes de seguir adiante devo explicar a foto que ilustra a coluna: trata-se da peça “Macaquinhos”, levada pelo grupo de mesmo nome sob patrocínio da Lei Rouanet. Teatro na modalidade performance, na qual os atores e atrizes – parece que apenas uma – exploram-se uns aos outros as anfractuosidades anais (o popular fiofó): em círculos, formando corrente humana, acocorados, uns abrem as nádegas dos outros e avaliam com interesse as cavidades excretoras.

Não vou cansá-los em tema de teatro, que não domino. Queria, ao invés da foto acima, publicar o vídeo que registra o embate cenográfico de ontem, em Brasília, entre os senadores Renan Calheiros e Gleisi Hoffmann, com a participação do colega Lindbergh Farias, que quando pode se interpõe, roubando a cena no plenário da respeitável casa do Congresso. Antes a foto que o vídeo dos senadores. A foto beira a ingenuidade diante do espetáculo chocante e indecoroso do Senado.

Vocês podem perguntar, o que têm os Macaquinhos a ver com os senadores? Em verdade vos digo, muito. Explico, resumidamente. Os senadores praticam nos debates o que os atores fazem na peça: esgaravatam e examinam as reentrâncias uns aos outros. Bem o disse a senadora Gleisi Hoffmann ainda nesta semana que seus pares “não têm moral para julgar Dilma Rousseff”. No senado de Roma, o colega de Gleisi e Renan diria, horresco referens, tremo ao falar essas coisas. Depois entrava na banheira e cortava os pulsos.  

A performance dos Macaquinhos beira a ingenuidade diante da performance dos senadores. Renan Calheiros dirige-se ao presidente do impeachment, presidente do STF, para condoer-se do sacrifício de estar dirigindo um “hospício”. A seguir, em imagem de causar engulho no conterrâneo Graciliano Ramos, salienta que “os olhos do mundo estão neste momento debruçados sobre o Brasil”. Olhos debruçados – no teatro dos Macaquinhos também tem disso. A vida imita mesmo a arte.

Não bastasse a injúria, Renan acrescenta o insulto – aos colegas, ao Senado e ao STF – quando reprova a colega Gleisi: logo ela, a quem ele, Renan, como presidente da casa, livrou com o “esposo” do indiciamento pelo STF. Uma confissão candente de tráfico de influência para interferir em investigação policial. Aqui ainda “diante dos olhos do mundo, debruçados sobre o Brasil”. Nunca antes na história do melífluo e escorregadio senador das Alagoas ele foi tão sincero e, por que não dizer, honesto.  

Gleisi, sabemos, não só não leva desaforo dos outros para casa, como carrega na bolsa o estoque pessoal. Tipo Aracy de Almeida, a saudosa Dama da Central, jurada de Sílvio Santos. De um salto ejetou-se da cadeira, narizinho rubro como o costume que vestia, vermelho-petista. Eespevitada, aos gritos de “mentira” faltaram bolsa e espaço para levar a nocaute o boquirroto Renan. A seu lado, quais leões de chácara, os senadores Lindbergh Farias e Vanessa Grazziotin.  Se essa gente, como antigamente, portasse armas…

Comecei com os Macaquinhos da performance e termino com a performance dos macaquinhos do Senado. Saldo favorável, com mérito para os atores – que empregam o dinheiro da Lei Rouanet melhor que os senadores os polpudos salários. Se os Macaquinhos, na exaltação da arte, cutucam e abrem os ânus uns dos outros, os senadores não só imitam os atores na vida como aos macacos na selva – que também brigam lançando uns nos outros a munição que extraem do ânus.  

2 ideias sobre “Olhos debruçados

  1. Aristides Mansur

    Sobre o congresso todos nós sabemos.
    Duro é saber onde foi parar o nosso dinheiro nessas peças de teatro e com o patrocínio da lei Rouanet.
    Fora esses LADRÕES do PT e toda a sua CORJA.

  2. Parreiras Rodrigues

    E hoje, no plenário do Senado, continuação das Olimpíadas com risível partida de voleibol. Os senadores pró Dilma levantam a bola, e os depoentes, também pró-Dilma, como nesse momento o ex-ministro Nelson Barbosa, sobem para cortadas que não encontram barreiras. Bem, o que se ouve dos dois lados é a descrição dum Brasil talisquali aquele que Dilma mostrava no programa eleitoral de 2014, bonito e rico. Curioso, levantei-me, fui à janela e vi o casal que dorme na rua e vive das marmitinhas dadas pelos restaurantes da região, continua lá sentado em mulambos, na calçada do lado de lá da minha rua.

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