9:12PARLAPATADAS & FANFARRONICES

VENTRILOQUO12

Rogério Distéfano 

O BOQUIRROTO do momento é o ministro Ricardo Barros, da Saúde. Um tipo Pelé, na leitura Romário: quando calado, um dos deputados mais articulados em Brasília; feito ministro, tropeça na língua. Mas justiça se lhe faça: Ricardo Barros é o único, quem sabe o maior de nossos boquirrotos? Quem disser que sim, chispe deste espaço. Tem gente mais bocuda que ele no Paraná, com mais tempo de parlapatice (a palavra estava pegando pó no dicionário: parlapatão é fanfarrão, como um dos personagens que seguem uma vez xingou adversário).

Esqueceram Roberto Requião e Rafael Greca, cujas obras completas parlapatéticas empatam em volumes e páginas com a Enciclopédia Barsa. De longe são os maiores, mas não caem na boca dos críticos porque um, Requião, considera-se deus e o que fala, assim como aquilo que seu xará falou, comporta leituras diferentes, bíblias de variados apóstolos.

Outro, Greca, mistura estilos. Acha-se culto – e em relação aos pares até pode ser, o que não significa nada, considerando os pares; tem-se por engraçado, e assim foi até chegar, digamos, aos 30 anos, quando sentou na praça do ridículo. Quem não lembra quando comparou os mendigos a Charlie Chaplin e batizou de ‘homens-cavalo” os catadores de papel?

 Um, a quem não se pode conceder senão menção honrosa, ouro jamais, não propriamente pelo que fala, mas pelo conjunto da obra, é o governador Beto Richa. Fala pouco, quase nada – pena, deve ser falta de assunto, pois tem presença, bons dentes e excelente dicção, sotaque paranaense depurado. Richa entra na categoria parlapatética com a absolvição de Ezequias Moreira – “puni o pecado e perdoei o pecador” – e o crtl+alt+del que aplicou no primo Luís Abi Antoun.

Alguém há de apontar omissão: e o senador Álvaro Dias e sua colega Gleisi Hoffmann? Decidi deixá-los de fora. Explico. Gleisi ainda não tem aquilo que no Desembargo do Paço, em Lisboa, se chamava “forma e figura”; tanto tempo petando e está igual a tantos petezes e petizes do PT. Falta-lhe estilo, personalidade. Álvaro, é fanfarrão, comete parlapatices? Não o incluo na quadra Requião-Greca-Richa-Barros. O motivo está na cara de Álvaro, em sua voz. O senador Álvaro Dias não fala. Ele carrega o ventríloquo na barriga, falando pelo microfone do diafragma.

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