14:47SEM GILDA NEM ESMAGA

Rogério Distéfano

SOCIEDADE MORGENAU, fujo da pelada e espio a aula magna de Rafael Greca, dois dias antes de na mesma sociedade ser ele sagrado candidato a prefeito pelo PMN. De magna, a aula só tinha o professor, 150 quilos rotundos. Magna, conceitual e pedagogicamente, só é a aula que inaugura o ano letivo e não se pode chamar de letivos os dois meses em que teremos falação do candidato – embora este nunca perca o tom professoral e o sotaque gregoriano de vigário de catecismo. Old habits die hard, não se ensina truque novo a cachorro velho.

Assim como não foi magna, a aula nada teve de novo nem veio de maneira nova. Rafael segue a velha apostila – ele chamaria de ‘sebenta’, como os lusitanos aos manuais que continuavam inalterados e em uso anos a fio, ensebados pelo passar de mão em mão. A mesma sebenta desde a briga com a Cúria sobre a reforma da catedral, sua catapulta para a política. Sempre a chegada do Ouvidor Pardinho, as andanças de Gabriel de Lara, a aldeia coré y tuba. Nada sobre o fuzilamento do Barão do Serro Azul ou da lua de mel do Conselheiro Zacarias, gozada em Paris.

No aperitivo da campanha, Rafael deixa intocada a Curitiba de Gilda, nosso traveco de estimação, pioneiro do crossdressing araucariano. Ignora Esmaga, o popular íntimo de todos e só amigo de Cláudio Lacerda, este a enciclopédia viva da penumbra curitibana. As fanchonas, caçadores de pubescentes que circulavam pela Boca/Praça Osório, são vaticanamente ignoradas por Rafael, nunca cruzaram seu campo visual. Difícil crer que na idade sacristal não lhes tenha arrancado suspiros e devaneios. São as omissões sensíveis e sentidas na aula magna.

O magno Rafael requenta e serve o cardápio que antes empolgou as balzacas lernistas, hoje velhotas que o execram. Antes o apóstolo do messias da luz dos pinhais, agora o apóstata ingrato, renegou seu criador e desceu ao reino do coisa ruim, Roberto Requião, de quem finge estar afastado. A aula magna, aperitivo de salgadinho frio e vinho barato, é o script da campanha. Ausentes da bibliografia da sebenta os autores magnos da vida de Rafael: Lerner e Requião, que ele não cita, como amores de quem não ousa dizer os nomes. 

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