19:23ZÉ DA SILVA

Curitiba morreu quando acabou o Parque Alvorada, ali ao lado do Passeio Público. Não sei quanto tempo resistiu, mas imagino o quanto encantou as gerações que ali passaram. Para mim não tinha parque ambiental, desses que fizeram a fama da cidade. Parque mesmo era aquele, com seus equipamentos e pinturas resistindo ao tempo. Uma volta na roda gigante, numa tarde de domingo, e ver os pedalinhos navegando no lago do Passeio… ah! Se bobeasse dava até para enxergar o João de Pasquale do lado de fora do seu restaurante que também se foi no tempo e carregou história. Derrubei o patinho no tiro ao alvo. Peguei o ursinho e dei para uma menina que olhava tudo com cara de pidona – mas sem poder fazer nada. Ela sorriu timidamente – e o abraço que  deu no bichinho marrom era o que eu ainda espero na vida. No trem fantasma, tosco, quem entrou teve uma prévia do que viria a ser o Brasil no futuro que é hoje. Um dia desmontaram tudo. No outro tinha uma cancha sintética para o futebol de quem não sabe jogar bola. Depois não quis mais nem olhar para aquele lado. O Alvorada ficou aqui, com todas as cores, sons, emoções – e saudade.

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