8:29O BUNDÃO

bundão

por Luiz Solda

O bundão, essa água cristalina, disfarçada em amarga decepção, é uma doença insidiosa literalmente tomada por frases e locuções que dispensam apresentação, mas faz o que pode para discorrer sobre o tema sem parecer que está chovendo no molhado e que não resiste às duras críticas da carreira meteórica, ficando em polvorosa quando a desabalada carreira sai atrás da dama virtuosa, provocando escoriações generalizadas na grata satisfação, graças aos seus sólidos conhecimentos.

O valoroso bundão, para se defender, põe a mão na massa com requintes de crueldade, volta sempre à estaca zero para colocar um ponto final e debelar as chamas que vão dar com os burros n’água, não hesitando em ser apenas uma mera coincidência dentro da obra faraônica, quando modifica suas próprias raízes para manter o semblante carregado e o silêncio sepulcral, apesar dos laços indissolúveis que sustentam a doce esperança e a viúva inconsolável.

Filho exemplar, é um jogador voluntarioso, oriundo dos mais recônditos rincões, encarando a hercúlea tarefa como mais uma trágica ocorrência, perda irreparável para quem busca a fortuna incalculável. Em rápidas pinceladas ele se curva diante da palavra para mostrar os relevantes serviços, realizar os sonhos dourados, acertar os ponteiros e aparar as arestas sem baixar a guarda, dando a impressão de estar batendo em retirada para fazer as pazes com a vitória sem perder o bonde da história.

Conjugando esforços, segue em compasso de espera como uma nau sem rumo em ponto de bala, consternando profundamente a mão beijada que, depois de um longo e tenebroso inverno, ensaia os primeiros passos para chegar a um denominador comum e tirar o cavalo da chuva.

Apesar das vaias estrepitosas, enfrenta a subida íngreme, seguindo as sólidas tradições que resultam, invariavelmente, em calorosa recepção, se a pista não estiver escorregadia e se for retirado com vida dos ferros retorcidos depois do pavoroso acidente.

À procura de um lugar ao sol, agarra-se à certeza de agradar a gregos e troianos e proclama em alto e bom som que pretende levar a faca de dois gumes às barras dos tribunais antes de atear fogo às vestes, atingindo em cheio o propriamente dito para fechar com chave de ouro o esgoto a céu aberto e, numa  cartada decisiva, ser submetido ao rigoroso inquérito para localizar a pertinaz doença das tradicionais estirpes, causando tumulto generalizado no vetusto casarão, onde o ilustre se esconde das chuvas torrenciais ao lado da esposa dedicada(corpo escultural) e dos entes queridos.

Vai de vento em popa dirimindo as dúvidas e fazendo das tripas coração, sempre inserido no contexto e em petição de miséria, apertando o cinto às escâncaras quando se imagina sentado no banco dos réus, o que lhe cai como uma luva de causar espécie.

Para dar a volta por cima, criva de balas a cortina de fumaça e corre por fora cantando vitória para não passar em brancas nuvens e termina por repetir à exaustão as cobras e lagartos que foram o divisor de águas entre a saraivada de golpes e as prendas domésticas. Com agradável surpresa, o bundão põe as barbas de molho, as cartas na mesa, a casa em ordem e preenche uma lacuna procurando chifres em cabeça de cavalo, quando deveria reencontrar o seu futebol sem tecer comentários ou considerações e trazer à tona o tiro de misericórdia.

Desbaratada a quadrilha, é traído pela emoção ao abrir com mão de ferro o leque de opções que já é uma página virada e finca o pé, fugindo da raia na hora da verdade com a rapidez de um raio.

Num gesto tresloucado, se atira à singela homenagem, minutos antes da suculenta feijoada, entregando de bandeja o infausto acontecimento, ao inteiro dispor da intriga soez e da trágica ocorrência, onde o último adeus traz de volta o fantasma da recessão e o bundão, em decúbito dorsal, se transforma finalmente no esporte das multidões.

Morto prematuramente, em sã consciência, respira aliviado e é sagrado campeão, tirando o cavalo de batalha do bolso do colete e coroando de êxito o pomo da discórdia.

Trila o apito ao apagar das luzes, jogando uma pá de cal sobre a tábua da salvação.

Parece que foi ontem.

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3 ideias sobre “O BUNDÃO

  1. sergio silvestre

    O maior “bundão” eu batizei nos blogs da vida o FHC.
    Mas por que o distinto ser “bundão’,veja bem mas não olhe,ele se acha escritor,ele se acha o melhor presidente do mundo,hoje o melhor ex-presidente,ele acha que fez o plano real,ele acha que não comprou as eleições,ele acha que todos títulos que recebe é por causa da sua inteligencia,se fosse o Lula hein.
    Mas somos uma nação coalhada de “bundões’é só ver os comentários do blog, o blogueiro é um ‘bundão’eu sou um ‘bundão,viva os “bundões do Pais,que ficam perdendo seu tempo discutindo o obvio,roubalheiras de políticos e pensando que nosso judiciário vai um dia por tudo a pratos limpos,que acreditam nas homilias e nos conselhos de padres e pastores,vão ser “bundões’ assim lá no raio que os parta.

  2. ferreira

    SOLDA inspirado nas letras e nas teclas [ Ctrf – C ] e [ Ctrf – V ] dos textos da Tribunas periódicas.

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