7:06Potenciais assassinos

por Gregorio Duvivier

Tenho um pesadelo recorrente em que sou levado a matar alguém. Às vezes, estou assaltando um banco; o segurança espirra, tomo um susto e dou um tiro nele. Outras vezes, o revólver cai misteriosamente sobre a minha mão e tropeço, apertando o gatilho. (Vocês já devem ter percebido que o meu inconsciente é péssimo roteirista.)

Esse é só o começo do sonho. A partir daí, a noite se arrasta por muitas horas de julgamento (acho que assisti a episódios demais de “Boston Legal”) até que acordo culpadíssimo. “Coitado daquele segurança! Será que ele tinha filhos? Esposa? Como eles vão se sustentar?” Aos poucos, vou percebendo que nunca assaltei um banco, nunca tropeçaria apertando um gatilho. Ufa. Não matei ninguém. Que alívio, meu deus. Por isso penso que vale mais ter um pesadelo do que um sonho: acordar de um pesadelo faz perceber que a vida não é tão ruim, e acordar de um sonho faz perceber que a vida poderia ser bem melhor.

Em palestra, Freixo lembra o caso do adolescente que matou um ciclista no Rio de Janeiro. “Lembram do nome dele?”, Freixo pergunta. Ninguém se lembra, acreditando se tratar do menor de idade que esfaqueou o ciclista na lagoa. Freixo lembra: Thor Batista. Calcula-se que o primogênito do Eike, que já acumulava multas por excesso de velocidade, estava dirigindo seu Mercedes McLaren a 135 km por hora pelo acostamento quando colidiu com o ciclista que estava indo comprar um pudim para a esposa, que fazia aniversário. Thor foi absolvido. Às vezes penso que posso dormir tranquilo. Afinal, não uso armas. Não tenho o costume de assaltar bancos. Não sei lutar krav magá nem essas lutas em que seu corpo vira uma arma branca. Ou seja: nem que eu quisesse muito eu conseguiria matar alguém. A não ser, é claro, que eu dirigisse carros. Daí eu lembro: merda. Eu dirijo um carro.

Blindado no carro, mato quem quiser e saio ileso – inclusive da Justiça. O atropelamento é a forma mais aceita de assassinato. Você não se transportaria numa metralhadora com rodas, mas você dirige um carro. Passei a sonhar com atropelamentos. Acordava sem saber se era sonho ou realidade. Poderia ser realidade. Não foi -ainda- por sorte. Parei de dirigir. Tenho tentado, ao máximo, andar a pé ou de bicicleta. Num acidente, prefiro ser a vítima do que o algoz. Não é uma questão de generosidade. É uma questão egoísta: não conseguiria carregar essa culpa. Parabéns, Thor.

9 ideias sobre “Potenciais assassinos

  1. Diogo Almeida

    Mais um texto energúmeno de um humorista pró governo, e bancado com nossos impostos. Viva Brasil.
    Apesar da aparência, de todo um mar de sentimentos bons, de uma crítica a não punição a ricos, que costuma comover “inteligentinhos”, histéricos e afins, este simples texto esconde uma falta de caráter e uma amoralidade extremamente grande.
    Só para lembrar, ja que o articulista citou Marcelo Freixo (outro que divaga nas demências de uma ideologia nefasta), ao citarem o caso Thor Batista, este mesmo Freixo ignora que ha bem pouco tempo, ajudou a proteger os assassinos (afinal soltar rojão é proibido) do jornalista Santiago. Este mesmo Freixo é aquele que vive defendendo os “di menor” homicidas, assaltantes e estupradores, que “sofrem por causa de uma sociedade cruel”.
    A dupla inverte valores básicos, o que proporciona histerismo e demência na avaliação do fato.
    Se levarmos em conta o argumento do Greg, então todos os acidentes de trânsito devem ser duramente punidos. (pois não alteraram a lei apenas para punir milionários e familiares). Se isso acontecer, quais cidadãos serão mais atingidos? Os ricos de Mercedes ou aqueles que se acidentam com carros populares, e não possuem dinheiro para sua defesa? As punições precisam vir em decorrência dos fatos apurados, independente de questões financeiras, etc.
    Por último, o humorista resolve cobrar de Thor Batista sua falta de consciência…este é o cumulo da vigarice…quem é o Gregório para cobrar consciência de alguém? Um defensor de jovens infratores. Um defensor de um regime que ceifou a vida de 100 milhões de pessoas?
    É muita cara de pau para um maconheiro só.

  2. Jorge Armado

    É por essas e por outras Diogo, que eu e você (eu concordo com você em cada linha) deveríamos iniciar um movimento para processar toda a sociedade paranaense (imprensa, incluída) por praticar um bullying desmedido e injusto contra o pobre deputado Ribas Carli Filho. Onde é que vamos parar se um cidadão que paga seus impostos – e ainda mais um atuante deputado- tem sua carteira de motorista cassada (injustamente, com certeza. Devem ser multas de agentes de trânsito comunistas e radares fabricados em Cuba) , não pode tomar uns golinhos de um bom vinho italiano ou francês, ou chileno ou argentino e sair por aí aproveitando o bom estado das nossas magnificas avenidas para acelerar só um pouquinho , e abalroar um carro que imprudentemente entrou na frente do bólido estupendo e possante do injustiçado deputado? Só mesmo nessa terra de bugres . A família dos mortos é que devia indenizar o pobre deputado, que poderia quem sabe, ser governador ou presidente! Aposto que morreram só para prejudicar a carreira promissora do jovem de Guarapuava. Certamente os mortos eram petistas e comunistas. A família Yared deveria ser punida exemplarmente! Estou contigo Diogo!

  3. Sergio Silvestre

    hahahahahah,esse Jorge é o maiór,gostaria de escrever com essa linha ,num Pais de sizudos e de uma direita raivosa nada melhor do que ler isso,eita coisa boa,mas eles merecem até por cxausa do bote de aluminio.rsrsrsrsrsrsrs

  4. Diogo Lima

    Isso aí Jorge, nada de punição ao Carli…Assim como não teve ao Arruda e ao Mauricinho no acidente com o táxi.
    Agora, fala sério, aonde está a parte que eu defendi a não puniçao ao Thor, ao Carli(que nem vi citei, pois duvido que o Greg Banco do Brasil) e o carioca Freixo dos direitos dos manos não conhecem.
    Chega a ser engraçado, fazer tropa, fugir do debate, contra algo que não foi dito…
    Você deve ser que nem o Silvestre, Jorge, que morre de raiva de quem tá no Poder, enquanto fica recebendo grana pública. Ou perdeu a teta. E, para não demonstrar raiva, tenta ser engraçadinho. Manda o currículo pro Greg que ele te acolhe no Porta dos Fundos, ou no BB

  5. John Doe

    Ótimo seria se ironia salvasse gente, aí poderíamos perder horas e horas zoando da cara de montões de pessoas e tudo acabava bem. Infelizmente a ironia não ressuscita mortos, e não é com ironia que o assassinado pelo Thor e os assassinados pelo Carli vão voltar a viver, que pena não é mesmo Gregório?

  6. Jorge Armado

    Credo Diogo! Quanto ódio! Até parece que você frequenta as turmas do MST lá na UFPR. Eu só concordei com você e acrescentei umas ideias que julgo pertinentes. A vitimização é uma das armadilhas da esquerda festiva. Por isso acho um horror o que fazem com o nobre deputado. Ainda bem que a justiça carioca funciona…a do Paraná é ainda melhor. Quanto ao Duvivier sinto saudades da Scuderie Le Coq, do saudoso delegado Fleury. Ele saberia dar um corretivo no sacripanta articulista da Folha de São Paulo. Aliás um jornal muito petista pro meu gosto. Um abraço fraterno.

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