18:01HORÓSCOPO

por Zé da Silva

A faculdade era uma birosca, mas com nome bonito. O curso, uma enganação. Ficava num casarão em avenida movimentada. Na hora do intervalo, cafezinho do outro lado, no boteco bom para encher a cara. Naquela noite, assim que saímos do bar, a barca freou bruscamente e os meganhas desceram apontando escopetas e pistolas. Meu amigo foi revistado de tudo quanto é jeito. Enfiei a mão na bolsa e tirei uma carteirinha que quebrava sempre o galho. Brasão militar na capa. Um sargento mandou parar a geral no chapa, um negão magro, alto, fino, educadíssimo, artista. Entramos na faculdade. Chamei o companheiro e disse que tinha uma coisa pra mostrar. Enfiei a mão por dentro da cueca e tirei um pacote. Ele, que ainda tremia, ficou pálido. Peguntou o que era. Abri a coisa e mostrei o que tinha pego horas antes numa favela que conhecia bem: diamba poderosa a granel. Inesquecível.

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