7:55O metrô, ainda

Ontem, na Câmara Municipal de Curitiba, aconteceu uma audiência pública para discutir o impacto ambiental do metrô. Com o município, o Estado e o País no bico do corvo, financeiramente falando, beira o surrealismo falar sobre uma obra cujo custo chega atualmente a R$ 5,5 bilhões – ainda mais numa cidade que, apesar das críticas, tem um dos melhores sistemas de transporte público do Brasil. Imaginar que o Governo Federal vai jogar dinheiro para abrir buraco aqui é algo que beira a sandice. Mas como no Bananão tudo é possível… Confiram o que foi discutido ontem em reportagem da Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal:

Impacto ambiental do metrô de Curitiba é apresentado na CMC

O metrô de Curitiba terá 22 quilômetros de extensão e 19 estações, será integrado aos terminais de ônibus da capital e deverá transportar, inicialmente, 20,4 mil pessoas hora/sentido. O custo total estimado da obra ultrapassa R$ 5,5 bilhões (valor atualizado). Estes números foram apresentados junto ao estudo complementar de impacto ambiental (EIA) do projeto, nesta segunda-feira (16), às comissões de Meio Ambiente e Especial do Metrô, da Câmara Municipal. A nova alternativa de traçado possui diversos aspectos positivos, como menor número de desapropriações e redução  no nível de poluição atmosférica. Como impactos negativos de baixa magnitude estão o risco de contaminação de solos e águas e aumento dos níveis sonoros. 

O áudio da reunião conjunta você encontra aqui na íntegra, assim como as apresentações sobre o projeto do metrô e o estudo complementar de impacto ambiental

O primeiro EIA foi elaborado em 2010 e divulgado pela Prefeitura de Curitiba em março de 2011, mesmo período em que foi liberada a licença ambiental prévia da obra. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Renato Lima, depois que o projeto passou por adequações, prevendo o método de construção “shield”, com uso de máquina tuneladora, foi necessária a contratação de um novo laudo – elaborado entre 2014 e 2015 pela Ecossistema Consultoria Ambiental (mesma empresa responsável pelo estudo anterior). 

Apresentado em audiência pública no dia 22 de setembro (leia mais), o novo EIA apresenta uma sexta alternativa ao traçado do metrô de Curitiba, com 22 km de extensão, sendo 2 km em trecho elevado (do pátio de manobras até a avenida Winston Churchill e 20 km em túnel pelo método shield. O estudo de 2010 previa 5 propostas de trajeto, com modelos de escavação diferentes (“cut and cover” e NATM). 

De acordo com a bióloga Gisele Cristina Sessegolo, da Ecossistema Consultoria, a nova alternativa de traçado possui diversos aspectos positivos, como: menor número de desapropriações; ganho de tempo nos deslocamentos; redução de custos operacionais; redução no número de acidentes de trânsito e no nível de poluição atmosférica. Em contrapartida, existem os pontos negativos: necessidade de grande área para o pátio de manobras; aumento da produção de material agregado; e necessidade de identificação de novas áreas para “bota-fora”. 

No EIA, foi detalhado o impacto ambiental por etapa de implantação do projeto – desde o planejamento à operação do metrô curitibano. Risco de contaminação de solos e águas e aumento dos níveis sonoros são os impactos negativos de baixa magnitude. Alguns impactos negativos de média magnitude identificados são:  volumes excedentes de escavação e risco de acidentes com usuários. Alteração de tráfego e implantação de obras viárias paralelas são classificados como impactos de alta magnitude. 

Conforme Giselle Sessegolo, o maior impacto na flora será no terreno (ainda não definido) onde será construído o pátio de manobras do metrô. “Nenhuma das áreas verdes ao longo do traçado do metrô [Terminal do Pinheirinho, Passeio Público e praças Eufrásio Correia e do Japão] serão afetadas pela obra”, esclarece a bióloga. “A tuneladora, quando passar em baixo da Câmara Municipal, por exemplo, não vai afetar nenhuma fundação, pois vai passar a 25m de profundidade”, completou o assessor técnico da Secretaria Municipal de Planejamento e Administração, Carlos Nissel.

Prefeitura e Ecossistema Consultoria também apresentaram os impactos positivos do empreendimento: redução de emissão dos poluentes; construção de novas áreas verdes, com o Parque Linear; de nova ciclovia; e melhoria da mobilidade urbana. “Além disto, o metrô vai gerar emprego e renda e, consequentemente, fomentar a economia da cidade. São cerca de 3.100 empregos diretos durante a implantação do projeto”, completa Gisele Sessegolo.

“Do ponto de vista urbanístico, o maior volume de impactos ocorrerá durante a implantação, podendo gerar transtornos à população, principalmente a residente no entorno, bem como ao tráfego nos trechos sujeitos à escavação ‘cut and cover’ para implantação das estações. Apesar disso, quase em sua totalidade são impactos atenuáveis, exigindo ações de mitigação para os casos de interrupção temporária de tráfego e modificações do atual sistema de transporte público”, finaliza o EIA 2015.  

Próximas etapas 
Presidente da Comissão Especial do Metrô, Tico Kuzma (Pros) afirmou que a reunião de hoje serviu para atualizar os vereadores sobre o projeto. Segundo ele, o colegiado vai agendar uma nova reunião com o secretário de Planejamento e Administração, Fábio Scatolin, sobre o cronograma de implantação da obra – cujo edital de licitação foi suspenso em 2014 pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR). A primeira foi realizada em agosto deste ano (saiba mais).  

“Na primeira reunião, o secretário Scatolin disse que a prefeitura respondeu os apontamentos feitos pelo TCE e que a conclusão do edital dependia da definição de quem iria assumir a correção inflacionária da obra [que será realizada por meio de parceria público-privada – PPP]. A expectativa era de que o edital seria lançado até o fim deste ano, e é sobre esta previsão que queremos a confirmação”, explicou Kuzma. 

Além do presidente da Comissão do Metrô, também participaram da reunião, Serginho do Posto (PSDB), Carla Pimentel (PSC), Chico do Uberaba (PMN), Bruno Pessuti (PSC) e Valdemir Soares (PRB). Pela Comissão de Meio Ambiente, participaram Paulo Salamuni (PV), presidente; e Aladim Luciano (PV) – Pessuti e Soares também integram o colegiado. 

2 ideias sobre “O metrô, ainda

  1. Estatística

    A quem, realmente, intere$$a o metrô? Com a economia como está, prefs mal conseguindo pagar sua contas e a credibilidade de nossos políticos e grandes empreiteiros num nível tão baixo dá para acreditar que é verdadeiramente necessário?

    Cadê os estudos alternativos? VLT? Suspenso? Melhoramento do sistema de ônibus?

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