8:18Os desajustados

por Janio de Freitas

A Caixa inova: para a concessão de empréstimo destinado à compra de imóvel usado, o pretendente a conseguir a casa própria tem que entrar com 50% do preço pedido, e não mais 20%. É o primeiro ato notável de Miriam Belchior, petista de raiz, que saiu dos salões do Planalto para a presidência da Caixa. Justificativa da sua inovação: a medida objetiva estimular a compra de imóveis novos, logo, a construção.

Pode-se dizer que é um pretexto. Também se pode dizer que é inverdade. Ou dizer simplesmente: é mentira.

A medida faz parte do arrocho que os desarrochados do governo, com Dilma, chamam de ajuste fiscal. Mais um ato para desajustar a vida dos que começavam a tê-la um pouco menos injusta.

A publicidade vulgarizou o conhecimento de que a venda de imóveis novos é incentivada por melhores condições de pagamento, nem preço influi muito. Reduzir o número dos que comprariam imóvel usado, impondo-lhes uma exigência difícil, para o que interessa aqui é medida antissocial. Parte da política de jogar nos carentes o custo do “ajuste”.

Nesse sentido, até que não é mau o título da nova campanha publicitária do governo Dilma: “Ajustar para avançar”. A regra publicitária das frases curtas vetou o complemento um pouco extenso: “avançar em cima dos direitos antigos e conquistas recentes do povaréu”.

O desemprego está na porta, os preços e outras manifestações da inflação crescente são óbvios para todos, direitos trabalhistas são atacados pelo governo –ainda vale a pena mentir? Isso só tem aumentado a desmoralização do governo e nada fez contra a descrença em Dilma.

Efeitos que Lula teve a oportunidade de perceber no evento de 1º de Maio da CUT. Com o baixo resultado da defesa que fez de Dilma e da conclamação para “dar a mão a ela que está em dificuldade”, Lula sentiu que precisava mudar de rumo e de tom, para empolgar. Adotou a velha linha de “ir para a briga” se desafiado, de concorrer em 2018 se provocado, e por aí. Afinal, empolgou.

Dura é a vida dos petistas, dos quais cobram, Lula inclusive, o apoio ao que os usurpa e oprime, porque desta vez vem em nome do PT. Embora por comando do neoliberal Joaquim Levy –o que deveria ser mentira, mas é a verdade do governo.

LEVINHAS

Fernando Henrique no “Globo”: “É preciso que a Justiça não se detenha antes que tudo seja posto às claras”.

Mas só dos anos 2000 ou pode entrar naqueles silenciados 90?

Na Folha, do repórter Flávio Ferreira: “Delatores da Lava Jato não contam todo o prometido”.

E o Ministério Público não quer saber, ou teria exigido e investigado, em vez de preferir o arquivamento conveniente a Aécio Neves.

De Joaquim Levy: “Enem, Pisa e outros índices de saúde pública são bons para saber se o gasto público está produzindo as mudanças que desejamos”.

O principal plano de Levy é ficar muitos anos. Mas não é preciso tempo algum para saber a consequência do corte de bilhões da Educação e da Saúde.

CAUSAS

Bem a propósito, o projeto da terceirização foi apresentado em causa própria. Então deputado, no início do governo Lula, Sandro Mabel propôs essa derrubada das garantias dos assalariados quando havia problemas na fábrica dos biscoitos Mabel, da qual se tornou dono por herança. Não faz muito, vendeu-a.

Passados mais de dez anos, o projeto foi desengavetado por Eduardo Cunha, que não fabrica biscoitos, mas tem uma voracidade insaciável.

Uma ideia sobre “Os desajustados

  1. Professor Xavier

    Adoro o entendimento pe$ti$ta sobre Economia, o raciocínio, se é que posso chamar de raciocínio, a sugestão da presidanta da Caixa, é o seguinte, diminuindo a procura pelo imóvel usado o preço dele cai, seria verdade em um economia normal, não em recessão. Com a dificuldade em dar entrada tão grande para se comprar um imóvel usado, se opta pelo novo, mais do que óbvio, mas quem é que se aventura hoje a entrar em financiamento de qualquer espécie? Como a ministra não precisa comprar nem imóvel usado e nem novo , porque já tem o seu, propõe bizarrice como esta. E a tigrada que se vire quanto ao entendimento da lei da Oferta e da Procura segundo o viés pe$ti$ta.

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