12:55O homo sapiens corruptus brasiliensis

por Claudio Henrique de Castro

A Criminologia estuda os perfis dos autores e dos seus respectivos delitos. Investigadores experientes, sem leitura nenhuma de manuais, conseguem traçar o perfil de criminosos com profundidade sem sequer ter lido qualquer linha sobre o tema.

Assim, estupradores teriam desvios de condutas característicos que os identificariam, os pedófilos teriam brinquedos em casa ou entenderiam o universo infantil, os viciados em drogas certas características físicas decorrentes do uso das drogas, como olheiras profundas. Os cleptomaníacos, aqueles que comentem pequenos furtos, normalmente passaram por transtornos psicológicos.

Os psicopatas são frios, sem sentimentos, inteligentes, dissimulados e com um perfil conservador – e quase sempre sofreram na infância algum trauma terrível que lhes retirou a sensibilidade.

Pelas recentes, ou nem tanto, notícias de corrupção que a nação assiste, perplexa, anotamos algumas caraterísticas que podem ser percebidas em sujeitos que podemos chamar de “homo sapiens corruptus brasiliensis.”

Possuem um perfil quase sempre cativante, mas há exceções; em momentos difíceis sempre sorriem, fazem de conta que não são parte do problema, estão incumbidos de resolver as crises, mas nunca relevam objetivamente como e quando irão fazer isto. Sabem fazer pequenos discursos e normalmente falam por último em solenidades.

Vivem e respiram promessas, são utópicos, dizem que algum dia haverá uma mudança e repetem que estão fazendo de tudo para isto ou aquilo melhore.

Possuem algumas frases de efeito sobre a moralidade e a ética – e elas se encaixam em todas as ocasiões. Alguns discursam de improviso sobre a austeridade e sempre são contra a corrupção e os corruptos.

Uma característica notável desses personagens é a de ter na memória alguns ditados apropriadas para a cada ocasião.

Independente da sua formação cultural ou educacional, ele conhece todas as garantias constitucionais do processo penal, tais como a presunção de inocência, o direito de ficar em silêncio e o direito ao contraditório e da ampla defesa.

Suas justificativas ou defesas são da negativa geral de tudo que lhes impute e que “todos sempre fizeram assim há anos” ou “que o sistema é assim” ou ainda “que é normal”.

Se ainda não foram descobertos, afirmam que estão verificando o problema, que vão determinar investigações rigorosas e acima de tudo irão afastar os envolvidos. Apesar disto, são hábeis conciliadores de interesses.

Outro traço marcante é o de que não sabem de nada, tudo lhes passa despercebido e que realmente ficam chocados (as) com os acontecimentos e surpresos com as denúncias em curso.

Organizados em agremiações, são muito inteligentes em gerir seus interesses e essencialmente são nutridos por recursos advindos do povo.

Finalmente, o “homo sapiens corruptos brasilienses” surge em decorrência das pradarias da impunidade, dos campos da incompetência e das serras de omissão.

Há mais de quinhentos anos habitam a “terra brasilis” e recentemente começam a se preocupar. Ainda não estão em extinção pela sua grande população que infesta o país, mas a caça predatória, autorizada legalmente, pode diminuir sensivelmente a população desses seres.

*Claudio Henrique de Castro é advogado e professor de Direito

3 ideias sobre “O homo sapiens corruptus brasiliensis

  1. Sergio Silvestre

    Quando ainda o monólito viajava pelo universo duas linhas de animais começaram quase juntas uma evolução para o que hoje chamamos de era da modernidade com toda essa parafernália de tecnologia.
    Essas duas raças de criaturas eram os homens de Nerdhental e os Sapiens.
    Foram seguindo juntos por uma trilha da evolução até chegar a um ponto da traiçaõ,foi quando começou os conflitos de famílias inteiras de Nerdhentais sendo massacrados pelos Sapiens.
    Assim o homem já começou bem,aniquilando uma outra raça inteligente para ser o unico que hoje da as cartas na Terra.
    Se julgam os filhos de Deus.Será.

  2. leandro

    DEPREHENSI ANIMAL IBI CONPREHENDET VACARI MULTO REVELABITUR, isto quer dizer mais ou menos: ” com a prisão do Vacari o bicho vai pegar”.

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