6:19A tecnologia pode derrotar o populismo

por Ivan Schmidt 

A jovem cidadã guatemalteca, Gloria Alvarez, uma das diretoras da organização não governamental Movimento Cívico da Guatemala, passou a semana em Curitiba a convite da Associação Comercial do Paraná (ACP), onde fez palestra na segunda-feira (6), falando nos dias seguintes a estudantes das áreas de Direito, Sociologia e Ciência Política das universidades Positivo, Unicuritiba, PUC e UFPR.

Sua especialidade? Uma profunda reflexão com base em estudos avançados no campo do populismo, praga que assola os governos de muitos países da América Latina e de outros quadrantes, incluindo a própria Guatemala onde nasceu. Glória lembra que em seu país há um virtual candidato à presidência da República, que quando vai aos lugares mais pobres proclama-se “o enviado do senhor Jesus Cristo para salvar o povo da Guatemala”.

E, se fosse pouco, a atual vice-presidente do país não se cansa de afirmar ser “a mãe dos pobres”.

No Brasil é longa a coleção de políticos populistas, aberta por Getúlio Vargas, que os áulicos se apressaram em apodar de “pai dos pobres” e, em nenhum momento foram repreendidos pelo ditador, que dizem apreciava demais da conta essas e outras babaquices.

É verdade que havia razões para isso, pois Getúlio abrira espaço para o trabalho realizado pelo então ministro do Trabalho, o também gaúcho Lindolfo Collor (avô de Fernando), dotando o país de uma política trabalhista até então inexistente, a CLT, e o tal do salário mínimo, que depois de tantas décadas faz inteira justiça a sua denominação, porquanto menos que mínimo é impossível.

Nossa história política recente mostra também os exemplos de Jânio Quadros, João Goulart, José Sarney e Fernando Collor, que na verdade (uns mais outros menos) fizeram uma mistura esdrúxula de populismo, demagogia e até mesmo atitudes completamente desvinculadas da lógica e da bom discernimento, como a proibição do uso de biquínis nas praias e das brigas de galo (Jânio), o fechamento de supermercados (Sarney) e as demonstrações atléticas de Collor, entre outras pérolas.

Luiz Inácio também foi pródigo em gestos populistas, muito mais pela infindável repetição de bravatas e afirmações tipo “minha mãe nasceu analfabeta; jamais li um livro em toda a minha vida; não tenho diploma, mas sou presidente da República”, além das recorrentes metáforas futebolísticas”, que segundo sua filosofia de botequim o faziam rigorosamente igual ao povão.

Imbatível, no entanto, foi a bravata de que “pernambucano não brinca em serviço: a galega (Marisa Letícia) já engravidou na noite do casamento”.

A presidente Dilma Rousseff está numa fase tão difícil e deplorável, com uma gestão caindo aos pedaços e qualificada como ruim ou péssima pela maioria acachapante da população e, só por isso será indultada pelo direito ao silêncio obsequioso desse comentário.

Voltando a Glória Alvarez, ela seguiu nessa quinta-feira (9) para São Paulo, onde será ciceroneada pela Fundação Fernando Henrique Cardoso, que não deixa de ser um parâmetro seguro para avaliar seu prestígio nos meios respeitados do debate político. Ela vai passar o domingo na cidade e é bem possível que seus anfitriões a levem à Avenida Paulista para que tenha um registro in loco da manifestação de massa em protesto ao desgoverno brasileiro.

No início da semana, deverá viajar a Porto Alegre para participar como conferencista do Fórum da Liberdade, contraposição intelectual ao antigo Fórum Mundial da Liberdade que se realizava na mesma cidade, julgando-se o lado virtuoso da esquerda socialista em contestação ao direitista Fórum Mundial de Davos.

Em resumo, Gloria e a ONG que ajuda a dirigir na Guatemala, defendem com unhas e dentes os ideais da República, alertando para os desvios perigosos dos regimes populistas que, segundo a cientista política, sempre rondam a vizinhança das tiranias. “O populismo gosta tanto dos pobres que se esforça para multiplicar o número deles”, costuma dizer.

Uma das ferramentas que o Movimento Cívico da Guatemala recomenda para arregimentar especialmente os jovens para a luta em prol da república são as redes sociais, cuja força Glória comparou no melhor sentido à Primavera Árabe.

Lembrou o exemplo dos cubanos que espontaneamente transformaram em fenômeno viral o projeto “Um minuto para Cuba”, vídeos em que pessoas comuns reclamam maior liberdade de expressão, justiça e mesmo facilidades para sair da ilha.

A jovem interessada em política, pesquisadora de temas republicanos em toda a América Latina, tornou-se conhecida depois que o vídeo de sua intervenção num congresso internacional realizado na Espanha, no final do ano passado, foi postado no YouTube e teve milhões de acessos.

O sucesso imediato rendeu convites para conferências e debates na Nicarágua, Chile, Bolívia, Nicarágua e Uruguai e, em seguida à participação no Fórum da Liberdade, no dia 14, na Argentina.

Há quem diga que nesse crescendo, em pouco tempo Gloria Alvarez será eleita presidente da República da Guatemala. Lucidez, informação, carisma e gosto pela política ela tem de sobra.

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