17:08Em cenário de crise, tucano Beto Richa assume segundo mandato no Paraná

Da Folha de S.Paulo, em reportagem de Estelita Hass Carazzai:

O tucano Beto Richa tinha tudo para começar seu ano de forma consagradora. Reeleito em primeiro turno para o governo do Paraná, o político jovem e de estilo conciliador tem oposição quase nula e é apontado como promessa do PSDB. Mas toma posse nesta quinta (1º) num cenário de crise financeira, com aumento de impostos e desaprovação popular.

Aos 49 anos, esta é a segunda vez que o tucano assume o governo do Paraná. Quatro anos atrás, com a promessa de choque de gestão, implantou metas nas secretarias e disse que “faria mais com menos”, mas foram poucos os projetos significativos que saíram do papel.

Ao dar aumentos ao funcionalismo, especialmente a professores e policiais, inchou a folha e acabou inviabilizando o orçamento.

Por causa dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, ultrapassados nos gastos com pessoal, teve de controlar despesas. Nos últimos dois anos, paralisou obras e atrasou pagamentos.

Ao final de 2013, o Estado devia R$ 1 bilhão a fornecedores. Passou todo o ano eleitoral pagando a dívida.

A oposição aguardava eufórica pela eleição. Dois nomes fortes se candidataram: o ex-governador Roberto Requião (PMDB) e a senadora Gleisi Hoffmann (PT).

Mas, se foi fraco administrativamente, Richa demonstrou força politicamente.

Com uma aliança de 17 partidos, o tucano rebateu as críticas de má gestão, assumiu as dificuldades financeiras e falou de “perseguição” por não ter obtido empréstimos do governo federal.

No interior, conseguiu o apoio de quase todos os prefeitos, aos quais garantiu verbas para asfalto e outras pequenas obras.

Do tipo “teflon”, com cara de bom moço, o tucano venceu com 56% dos votos.

“Ele não tem nenhum escândalo contra si. É o maior capital político dele”, diz o deputado Ademar Traiano (PSDB), líder do governo.

AJUSTES NO GOVERNO

Ao ser reeleito, Richa declarou que “o melhor estava por vir”. No início de dezembro, apresentou uma reforma que enxugou secretarias e aumentou impostos. Subiu o IPVA e o ICMS de dezenas de produtos, de material escolar a medicamentos, e foi alvo de protestos de sindicalistas e até de empresários.

“É um freio de arrumação”, declarou o tucano na época. Para seus aliados, foi considerado corajoso. Para adversários, incompetente.

Os próprios membros do governo admitem que 2015 será mais difícil que o desejado. No Palácio Iguaçu, sede do governo, há mais desânimo que o normal para um governo recém reeleito.

“Está complicado. A euforia só virá mais para a frente”, diz um aliado. As férias dos servidores foram parceladas. O 13º salário foi pago normalmente.

Novas medidas de austeridade podem ser anunciadas em breve, como adiantou o futuro secretário da Fazenda, Mauro Ricardo.

Na avaliação de aliados, os próximos quatro anos devem definir se Richa sairá do governo como potencial cacique tucano em esfera nacional ou como uma promessa que morreu na praia.

 

 

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