11:15Urubu

Do blog Cabeça de Pedra

O urubu pousou na vida dele de uma maneira estranha. Foi ao abrir a persiana do escritório. Ele estava lá, do outro lado da rua, como um rei negro no topo do sobrado do vizinho. Não havia mais nenhum outro – nem ali, nem sobrevoando. De vez em quando batia uma brisa e as asas dele se abriam – e o bicho ficava mais majestoso. À distância parecia jovem. Estaria perdido? Nunca o observador tinha visto urubu naquele pedaço da cidade, onde filé mignon é comum no prato dos moradores. Claro que pensou na carniça. Mas, qual? Na vizinhança um dia morou alguém que foi parar nas páginas policiais por roubo do dinheiro público, mas isso é outra história. O urubu ficou lá o dia inteiro, lindo, silhueta negra contra o céu azul ou algumas nuvens que ali passavam. Ele ficou ali na janela olhando na maior tranquilidade. Pensou em fotografar mas… Pra que? Há certas cenas, momentos, visões, que é melhor guardar para sempre. O urubu, pensou depois, deveria ser a ave símbolo do Brasil. Para o país ficar sempre limpo.

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