8:56Na bala, na boleta e na memória

História paranaense. Os textos aqui publicados a respeito da “aposentadoria” das redações do jornalista paranaense Carlos Maranhão renderam não só uma resposta dele, sempre educado e generoso, mas também uma saborosa recordação sobre os tempos em que era correspondente da revista Placar na província, antes de ir para São Paulo, onde fez uma das carreiras mais brilhantes entre aqueles que daqui saíram. A bola foi levantada por outro mestre, Helio Teixeira, filho de Palmeira, sobre uma reportagem a respeito do União Bandeirante e seu dono, Serafim Meneghel. Maranhão fez um adendo em sua mensagem e o fotógrafo Sergio Sade, curitibano que começou aqui e foi o primeiro editor de fotografia da revista Veja, emendou. A saber:

 

…Talvez nas suas memórias Maranhão conte uma célebre matéria em que ele entrevistou Serafim Meneghel, o dono do União Bandeirantes, que costumava assistir jogos do seu time com um “trêisoitão” na cinta desferindo olhares pouco amistosos ao árbitro. A Placar deu o título da matéria: “Na Bala e na Boleta”. Serafim, na verdade, encenava um mito, era um sujeito pacífico. Maranhão deve ter saudades dessa época. Pelo relato do “Portal dos Jornalistas” ele atuou em todas as posições na Abril, mas ainda bem que continua no jogo.

Helio Teixeira

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Caríssimos e velhos amigos Zé Beto, Raul Urban, Hélio Teixeira, Célio Heitor Guimarães e Bitte,

Fui avisado pelo meu compadre Sérgio Sade que vocês haviam escrito, no ótimo blog do Zé Beto, alguns comentários que a gente só imagina ler no dia em que estiver em outro mundo (se é que de lá dá para ler). Mas acontece que estou vivo, disposto, com saúde e trabalhando.
Que bela surpresa! Cada um de vocês, de forma diferente, tocou o meu coração. Não quero ser piegas, mas fiquei sinceramente emocionado com tanto reconhecimento, tanta generosidade, em tão belos textos. Vou mostrar para meus filhos e guardá-los para sempre.
Em poucas palavras: muito, muito obrigado.

Um forte e saudoso abraço para todos.

Maranhão

Não resisto apenas a fazer um pequeno adendo histórico (foi há tanto tempo…)
A matéria que o Hélio lembrou, com sua memória de elefante, tinha o título “Na bola ou na
bala”. Algumas semanas depois, descobriram que alguns jogadores do União Bandeirantes
se dopavam. Aí fizemos outra reportagem, cujo título – na capa de Placar – saiu assim: “Na bola, na bala ou na bolinha”. Os dois títulos, faça-se justiça, não foram meus, mas do então diretor de redação da revista, o saudoso Jairo Régis, que anos depois seria meu sogro e avô de meus filhos.

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Para enriquecer o “adendo histórico”, como diz meu compadre Carlos Maranhão, gostaria de lembrar que ao voltarmos à Bandeirantes após a matéria “Os Irmãos Coragem: eles são os donos da cidade, do time e andam armados. Ganham na boia ou na bala”, para cobrir o jogo União x Coritiba, tive que entrar em campo para fazer as fotos do jogo e levar algumas bordoadas dos capangas do furioso Serafim Meneghel , enquanto Maranhão fumava britanicamente seu cachimbo ( fumo holandês Troost, tarja vermelha) discretamente abrigado nas cabines de rádio, longe das vistas dos violentos asseclas dos irmãos Meneghel.
Só conseguimos sair do estádio muitas horas mais tarde, protegidos pela escuridão da noite.
Semanas depois, Placar publicou a outra matéria, “Na Bola na Bala e na Bolinha”.
Felizmente nunca mais precisamos colocar os pés em Bandeirantes.

Sergio Sade

Confiram:

 

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