9:33Pontos

Do blog Cabeça de Pedra

 

Tropeçou no ponto final. Não veio o ônibus. Caiu do outro lado – e era um precipício de reticências. Não fez interrogação e nem exclamou. Invadiu o infinito sem avisar ou registrar ingresso no livro-ponto. Porque procurou este caminho depois de ter visto um ponto em cruz. Era a mãe no tricô. Ela cega e ele sem querer enxergar nada. Quando disse adeus a agulha atravessou as duas bochechas e a língua. Pontos foram costurados. Não quis mais ficar marcando ponto na vida. Andou de ponto em ponto até chegar ao final. Que era o começo, mas ele não sabia do que. Ponto.

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