19:18Ensino menos que médio

O Tribunal de Contas do Paraná informa:

Relatório do TCE aponta falhas na gestão do ensino médio no PR

Documento, que faz parte de auditoria nacional no setor, foi entregue nesta quarta-feira (18) ao secretário estadual da Educação, Flávio Arns. Governo tem 20 dias para apresentar contraditório

 

Instalações inadequadas, falta de capacitação de diretores, professores e aumento da evasão escolar. Os dados constam do Relatório da Auditoria Operacional Ensino Médio, elaborado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR). O documento, resultado de oito meses de trabalho, foi entregue ao secretário da Educação, Flávio Arns, nessa quarta-feira (18). O governo estadual tem 20 dias para apresentar o contraditório.

Devido aos feriados de final de ano, a expectativa é de que o prazo para contraditório seja estendido. A Auditoria Operacional Ensino Médio é de âmbito nacional e vem sendo realizada por outros 27 tribunais de contas, em todo o País. No Paraná, a fiscalização é de responsabilidade do TCE. A apresentação do sumário executivo – com a compilação dos dados nacionais – está prevista para fevereiro do ano que vem, em Brasília.

A entrega do documento aconteceu no gabinete da Diretoria Geral do TCE. Além do diretor geral do órgão, Angelo Bizineli, estiveram presentes o Diretor de Auditorias, Alexandre dos Santos, e os quatro servidores do Tribunal designados para esse trabalho: Kátia Janine Rocha (coordenadora), os analistas de controle Carla Roberta Venâncio, Nicolas Alberto Grassi e a técnica de controle Adriana Kukla. À reunião compareceu, também, o diretor geral da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Jorge Eduardo Werkelin.

 

Retrato

O relatório apresenta um retrato do ensino médio paranaense. Ao final, oferece quatro sugestões ao governo estadual. O primeiro assunto abordado é a gestão. O documento aponta problemas como o distanciamento entre a Seed e os estabelecimentos de ensino, o que gera fragilidade de instrumentos pedagógicos considerados importantes, como os Projetos Políticos Pedagógicos (PPP) e o Planejamento Anual (PA).

Os servidores do TCE constataram que os Núcleos Regionais de Educação visitam as escolas apenas para atender questões pontuais. Não há uma política sistêmica de apoio, monitoramento, avaliação e supervisão. Por outro lado, foi possível observar que há estabelecimentos onde a equipe diretiva possui conhecimentos administrativos mais amplos, o que melhora o resultado final dos serviços prestados à população.

O estudo também revelou a importância da participação da comunidade na gestão e na tomada de decisões escolar. “Onde esta se faz presente, foi possível visualizar seus efeitos de melhoria”. Como bons exemplos de integração entre escola e comunidade, foram citados o Colégio Estadual Santa Cândida (Curitiba), Sagrada Família (Campo Largo), Ulysses Guimarães (Foz do Iguaçu) e Eleodoro Pereira (Cascavel). Contudo, não há incentivo, por parte da Seed, à efetiva participação comunitária.

 

Estrutura

Quanto à infraestrutura de escolas e colégios, não foi encontrada nenhuma situação de “extrema precariedade”. Porém, em muitos casos foram encontradas instalações que “não são totalmente adequadas”. Entre as deficiências apontadas no relatório estão falta de bibliotecas, salas de aula improvisadas, sem conforto térmico ou acústico, prédios abandonados, acesso deficiente à internet e rede wi-fi, além de falta de acessibilidade (como rampas e banheiros adaptados).

Entre as recomendações apresentadas ao secretário Arns estão o mapeamento constante das necessidades dos estabelecimentos de ensino; o aprimoramento do diagnóstico da infraestrutura das escolas; conscientização da comunidade escolar – gestores, professores e alunos – sobre a importância da correta utilização e preservação do bem público; e um plano de ação que contemple cursos de capacitação para gestores e professores.

 

3 ideias sobre “Ensino menos que médio

  1. juca

    Muito bem escrito o relatório que no seu conteúdo há demonstração de falta de ações programáticas na Secretaria da Educação, não havendo portanto o acompanhamento de um programa global na pasta e consequentemente para os alunos em geral. Claro que deve haver alguma distorção como em qualquer ente do serviço público e também na iniciativa privada, só que nesta as correções não são sujeitas as influências externas. Por falar em influências externas, no Tribunal de Contas também ocorrem rupturas e falta de alinhamento em determinadas áreas, como por exemplo um real harmonia de comportamento e decisões das chamadas Inspetorias, que na realidade são as unidade que exercem o controle externo das unidades estaduais e também de decisões entre inspetorias em ralação ao que se exige dos órgãos estaduais e daquilo que muitas fezes se pratica no próprio TC. O que corrobora que muitas fezes não é possível fazer tudo que se pensa e como se deve executar pois no meio do caminho existem fatores que determinam as situações. Mas isso não quer dizer que está tudo errado e que se deverá modificar , Mas entendo que as ações do Tribunal de maneira precoce é uma forma preventiva de corrigir rumos que deveriam ser adotados por todos inclusive internamente.

  2. leandro

    O interessante nessa história de é melhor ou pior o ensino no Paraná, é que passa ao largo da análise das pessoas que falam mal do governo e não observam que no governo federal as coisas também acontecem e com muito mais gravidade, como por exemplo: Já faz algum tempo que ouve notícias sobre fraudes nos exames do ENEM e hoje novamente a Policia Federal está investigando mais uma fraude nos exame do ENEM e em principio tem mais de mil pessoas envolvidas com isso no Brasil. Então “porquice” tem em todo lugar e olhem que o ENEM é para qualificar os alunos para o nível superior. Agora algumas pessoas fecham os olhos para isso e miram suas baterias somente pelo interesse politico mas principalmente interesses partidários e pessoais.

  3. antonio carlos

    Enquanto a educação fizer somente parte da plano de governo de todo candidato, de ficar fixando metas inalcançáveis, mais cheio de boa vontade do que de realidade, vamos continuar tendo não só o ensino de nível médio ruim ,mas também o de nível básico e superior muito abaixo do suficiente. Ficarmos pedindo por escolas padrão FIFA não vai nos tirar da situação em que nossas escolas e nossos alunos se encontram. Hoje o Estado diz que paga um salário aceitável para o professor, mas a sociedade precisa fazer mais, precisa se integrar à escola, andar junto com ela. O professor deve ter o direito de educar reestabelecido, não de politizar, catequisar. O conteúdo programático precisam refletir a verdade, e não a vontade dos donos do poder. E os diretores das escolas devem estar mais focados na administração da sua escola do que fazendo politica para se garantirem no cargo.

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