6:49Costeleta que avoa

Do blog Cabeça de Pedra

 

O avô foi o responsável. Porque falou que voou de “Costeleta”. O menino ficou sem entender porque o pai usava costeleta, dos dois lados do rosto – e o avô, não. Mais tarde se apaixonou pela Panair, sentimento que aumentou muito nas asas da voz de Milton Nascimento. Com a empresa revelou-se o Constallation, o rei dos ares antes da era a jato. A seleção brasileira campeã mundial em 1958 voou nele como canarinho. O menino então sonhou em bater asas com os quatro motores e hélices a toda. E pensou em lindas aeromoças desfilando no corredor e pilotos infalíveis de quepe e impecáveis uniformes. Quando se deu conta, o avião tinha sumido no tempo. Até que o encontrou numa vitrine em loja do aeroporto. Não era da Panair, mas da Real. Comprou. Deixou num lugar de destaque no escritório. Um dia um garoto de cinco anos entrou ali e se encantou com o brinquedo. O dono disse para ele que aquele era o famoso “Costeleta”. O menino olhou sem entender. Mesmo porque pouca gente deixa isso no rosto.

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