10:19Governo discute em segredo socorro bilionário às empresas distribuidoras de energia elétrica

por Josias de Souza

O setor elétrico brasileiro vive um paradoxo. Neste mês de fevereiro começou a vigorar, sob fanfarras, o desconto médio de 20% nas contas de luz, conforme prometera Dilma Rousseff. Simultaneamente, as distribuidoras de energia elétrica pedem em Brasília autorização para reajustar suas tarifas. O governo diz ‘não’. E busca em segredo uma saída para cobrir um rombo bilionário das empresas.
Deve-se o buraco aos caprichos da natureza. Embora o período seja de águas, chove pouco no Brasil. Em consequência, os reservatórios das hidrelétricas estão abaixo do razoável. Para evitar apagões e racionamentos, acionaram-se as usinas térmicas. O problema é que, além de ser ambientalmente suja, a energia térmica é mais cara. Resultado: subiram os custos das distribuidoras.
Pela lei, as empresas podem repassar essa elevação de custos aos consumidores. Precisam, porém, de autorização da Aneel, a Agência Nacional de Energia Elétrica. Algo que só costuma ocorrer uma vez por ano, quando são repactuadas as tarifas. Em casos de ameaça à saúde financeira, as empresas podem requerer revisões extraordinárias. É o que várias delas resolveram fazer agora.
Acionadas, as autoridades do setor elétrico negam-se, por ora, a autorizar os reajustes. Por duas razões: 1) a elevação de tarifas mastigaria um pedaço do desconto trombeteado por Dilma. 2) os reajustes jogariam gasolina nos já incendiados índices da inflação. Como ainda não inventaram a mágica de retirar cartolas de dentro dos coelhos, o buraco na escrituração das empresas cresce na proporção direta da embromação de Brasília.
A primeira vítima da encrenca é a transparência. Sonega-se ao brasileiro o tamanho do rombo. Na semana passada, o presidente de uma grande distribuidora de energia da região Sudeste informou em reunião do conselho que o uso das térmicas abrirá neste ano uma fenda de algo como R$ 25 bilhões na escrituração das empresas do setor.
Um secretario estadual de energia ouvido pelo repórter estimou que o vermelho no balanço das distribuidoras deve roçar os R$ 10 bilhões já em março. Mantidas em operação as térmicas, a cifra dobraria até julho. O blog apurou no Ministério de Minas e Energia que a Eletropaulo informou ao governo o seguinte: apenas no mês de janeiro, o uso da energia térmica custou à empresa um passivo de cerca R$ 1 bilhão.
Em negociações que se intensificaram na semana passada e serão retomadas nesta segunda-feira (25), empresas e governo buscam uma saída. Em meio às conversas reluzem dois vocábulos: Tesouro Nacional. Sim, isso mesmo. Um das alternativas que se encontram sobre a mesa é a injeção de dinheiro do contribuinte nas empresas. Nada a ver com os mais de R$ 8 bilhões que o governo gastará para implementar a poda nas contas de luz. Será dinheiro novo.
Se Dilma Rousseff não der meia-volta, terminará virando gestora de um contra-senso: num instante em que o governo deveria recomendar comedimento aos consumidores de energia, estimula-se o esbanjamento de milhares de megawatts que escasseiam nas hidrelétricas. Não se pode exigir da presidente que faça chover. Mas pode-se pedir a ela que se abstenha de mandar a lógica ao raio que a parta.

*Publicado na Folha de São Paulo

8 ideias sobre “Governo discute em segredo socorro bilionário às empresas distribuidoras de energia elétrica

  1. Angelo Santos

    Mais uma fraude desse governo ridículo. Politizaram uma questão técnica e agora o Tesouro vai ter de bancar a brincadeira gerando mais inflação.

  2. Parreiras Rodrigues

    Jatinho pro governador viajar, é uma suposição.

    Lula inventar viagens internacionais – Rose Noronha, clandestinamente a bordo – para o quê, todo mundo sabe, é uma verdade!

  3. Palhares

    Zé me explique!!!!

    Se o “Governo discute em segredo socorro bilionário às empresas distribuidoras de energia elétrica”

    Como é que ele sabe???Picareta!!!

  4. Palhares

    Zé vc poderia me explicar porque todo ex-esquerdista num arremedo de ética torna-se verde/ambientalista e torna-se assessor de deputado direitista. Of Accorse.

  5. Parreiras Rodrigues

    Deixa comigo, Zé:

    Todo jovem que não é comunista aos 20 anos, não tem coração. Depois dos 40, se continuar, não tem cabeça. (num me lembro do autor).

    Não recebi uma única visita de esquerdista nenhum nas vezes que estive preso e os meus líderes comunistas de então, hoje tomam vinho de milão a garrafa.

    E eu, amanhecendo na calçada nos dias de liquidação das bahias e luizas…

  6. Elton

    Tomar vinho de mil reais a garrafa é privilégio de direitistas? Comunista tem que tomar cachaça, de preferência, aquelas que são envazadas em garrafas de plastico.
    Hipocrisia a parte. As idéias nos seus devidos lugares. Só tem direito a tomar vinho bom a nossa elite econômica, intelectual, escambau, a nossa velha elite autofágica e tíbia que depois de 500 anos no poder, com seu pensamento e ideal monárquico, pois são os escolhidos por deus…
    Deixe de ser ridículo Parreiras Rodrigues – no poder, todos perdem a cabeça a diferença é que alguns governam para os amigos e deixa um pouco de migalhas para o povo, eis o Lula. Outros governam para os amigos e o povo que se dane, para o povo, só propaganda enganosa do que deveria ser feito e não foi feito, eis o Beto Richa. No poder todos usam do poder para tirar uma casquinha – Lula e a Rose num jatinho do Governo.
    Suposição do jatinho da Copel? E a filhinha de um governador de um estado do Sul do Brasil que nasceu ano passado? E a outra jovem que está grávida?
    Pior do que um comunista que não enxerga os desmando em nome do povo é um direitista que tapa o sol com a peneira quando está muito quente e que acha que o sol brilha apenas para meia dúzia de puxa sacos.
    Demorou para essas empresas de economia mista socializar os lucros e capitalizar algum prejuízo ou você quer pagar a conta para encher o bolso dos sócios privados. Se não está gostando do desconto, peça para pagar a tarifa cheia e contribua com o vinho de milão dos sócios da holdings que detém os 49% destas empresas.

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