6:31PARA JAMAIS ESQUECER

Pixinguinha partiu há quarenta anos

do Jornal Correio

Neste domingo (17) foram completados 40 anos sem a flauta e o choro de Pixinguinha. Ele é um dos maiores músicos brasileiros, compositor e arranjador cujo talento é celebrado e elogiado até hoje. Calou seu “bico” no dia 17 de fevereiro de 1973, aos 75 anos de idade, numa manhã carioca, em pleno Carnaval. A tradicional Banda de Ipanema estava nas ruas quando chegou a notícia da morte do mestre e se pôs a tocar “Carinhoso” como homenagem.
Só em canções de Chico Buarque de Holanda, o mestre Pixinguinha é citado duas vezes: em “Trocando em miúdos” (“Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim/O resto é seu”) e em “Paratodos”, onde Chico faz louvação a grandes artistas brasileiros (“Para um coração mesquinho/ Contra a solidão agreste/ Luiz Gonzaga é tiro certo/Pixinguinha é inconteste”).

Na infância o menino Alfredo da Rocha Viana Filho despertou para a música antes de completar dez anos. O apelido surgiu com a avó, que o chamava de “Pizindim”, significando “menino bom”. Como flautista, herança musical do pai, Pixinguinha iniciou a carreira tocando em orquestras, peças de teatro, choperias e musicais em companhia dos irmãos Henrique e Otávio (China).

Como líder do grupo Os Oito Batutas, chegou a tocar no exterior e em 1928, em parceria com o compositor Donga, participou de várias gravações para a Parlophone, numa fase em que o sistema elétrico de gravação era grande novidade.

Na sua trajetória artística convivendo com a nata da música brasileira de sua época, Pixinguinha deixou obras imortais, como “Rosa” (que ganhou letra do mecânico Otávio de Souza), “Carinhoso” (letra de João de Barro, o Braguinha), “Naquele tempo”, “Vou vivendo”, “Lamentos”, “Sofres porque queres”, entre tantos.

Jornalista e pesquisador da música brasileira, Sérgio Cabral traça o perfil do mestre no livro Pixinguinha, Vida e Obra, mostrando que a sua passagem pela música brasileira foi tão longa quanto marcante. Segundo Cabral, Pixinguinha é apontado por quase todos que mergulham fundo no estudo da nossa música popular como o nome mais importante que ela produziu em todos os tempos. “A sua obra não se esgota nela mesma. Ao mesmo tempo em que criou para as suas necessidades de artista genial, inventou também uma linguagem para os outros”, destaca.

Acrescenta que com sua genialidade,  pela sonoridade que sabia extrair do instrumento, e pelo seu estilo, “acabou sendo criador também de uma escola de execução de saxofone no Brasil”.

Em suas anotações de memória, o jornalista e pesquisador da música brasileira Ari Vasconcelos deixou escrito em 1960 a seguinte referência sobre o artista: “Se você dispõe de 15 volumes para falar de toda a musica popular brasileira, fique certo de que é pouco. Mas se dispõe de apenas uma palavra, nem tudo está perdido; escreva depressa: ‘Pixinguinha’”.

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