20:28A guitarra da invasão

Invadi o gramado do Morumbi. Não havia bola dentro de campo. Era show. Numa noite qualquer do passado distante. Gil e seu violão faziam a moldura para a paisagem dedilhada pelo tal de Perinho Santana. E não havia como resistir naquelas cadeiras das sociais. Pulei, pulamos, invadimos para chegar mais perto para dançar ao som das notas que passeavam da Baixa do Sapateiro ao Brooklin e percorriam toda a África, para voltar eletrificada sob a influência do deus Hendrix e se liquidificar com o batuque do terreiro Saravá. Gil usava aquelas trancinhas. No dia anterior conversamos no mesmo gramado, a pauta para a revista Pop era “existe rock brasileiro?”. Se soubesse, nem perguntaria porque a resposta estava naquilo que, no dia seguinte, nos levou a saltar de uma altura de alguns metros para chegar mais perto, era rock, era samba, era maracatu, forró, jazz, batuque, silêncio, selva, cidade. E saía daquele menino quase no fundo do palco, sempre discreto, quase desconhecido para a maioria, mas grande no seu nome diminutivo. Obrigado, Perinho.

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