7:39O que nos espera no fim do túnel?

por Paulo Ferraz*

Segundo reportagem publicada na Gazeta do Povo no último dia 02 de setembro, os investimentos em transportes em relação ao PIB na década de 2001 a 2010, período pós concessões rodoviárias e ferroviárias, caíram em relação à década anterior, a dos tempos de gestão pública.

Mas, então, onde estão os investimentos privados previstos pelos defensores do modelo de privatização que mudariam a matriz de transporte brasileira e produziria queda nos fretes, acarretando redução do custo Brasil?

Dados estatísticos da CNT mostram que o percentual de participação da ferrovia na matriz não cresceu. A malha ferroviária encolheu e a velocidade dos trens agoniza.

Nesta semana o sr. Rodrigo Villaça, diretor executivo da ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários) anunciou que as Concessionárias investiram R$ 43 bilhões.em 15 anos.

Mais uma vez não fica claro quanto o BNDES aportou, em que grandes obras de expansão das malhas se investiu, ou quantas novas locomotivas as empresas compraram para incorporar às suas frotas.

No pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff, feito no dia anterior à comemoração da Independência, ela destacou que as novas ações do Governo na área de infraestrutura visam corrigir erros do processo de privatização, que torrou patrimônio público para pagar dívidas e gerou monopólios privados, privilégios, fretes elevados, além de baixa eficiência das ferrovias concessionadas.

Isso quer dizer que, na avaliação dela, a modernização e expansão das ferrovias prenunciados pelo programa de desestatização do BNDES saiu pela culatra?

Mas, então, porque continuar a beneficiar os exploradores das concessões com recursos públicos?

Precisamos ver a fórmula mágica que vai recuperar o patrimônio perdido, anular os passivos acumulados, modernizar a frota de material rodante e reduzir em 30 % os fretes ferroviários, conforme promessa do  sr. Bernardo Figueiredo, que comanda todo o processo.

*Paulo Ferraz é engenheiro civil

3 ideias sobre “O que nos espera no fim do túnel?

  1. engenheiro curitibano

    Falta dizer que a concessão feita pelo FHC livrou o país de uma estatal deficitária, que consumia o orçamento público e em que grande parte dos cargos gerenciais eram preenchidos como moeda de troca por apoio político. Falta dizer também que houve investimento privado na manutenção operacional das linhas, que se ainda estivessem sob a gestão pública, estariam na mesma situação das rodovias sem pedágio. A privatização proposta agora pelo PT, também visa captar investimentos para o setor, mas é mais simples de ser implementada: não precisa enfrentar os interesses corporativos de uma estatal deficitária e ineficiente como era a RFFSA.

  2. antonio carlos

    E agora como é que fica? O BNDES vai por dinheiro público para fazer a ALL funcionar como deveria? E aonde está a Agência Reguladora do setor? Ou está aí só para empregar amigos? ACarlos

  3. Esclarecendo

    No primeiro comentário nota-se que o “engenheiro curitibano” desconhece os números reais do processo de desestatização.
    Vou ajudá-lo esclarecendo que a União aportava R$ 300 milhões/ano para manter em operação 30 mil km de ferrovias com trens de carga, turísticos e de passageiros.
    Nos últimos 15 anos o país perdeu grande parte do patrimônio público de US$ 24 bilhões arrendados às concessionárias por dilapidação ou manutenção inadequada, encolheu para 12 mil km a malha ferroviária, assiste a redução da velocidade dos trens, teve centenas de clientes isolados do transporte sobre trilhos, viu os fretes aumentarem e tem hoje passivos acumulados que superam as receitas arrecadadas pelo estado com a atividade ferroviária. Toda essa tragédia alimentada por bilhões e mais bilhões do BNDES presenteados as Concessionárias. Acredito que o ” EC” por falta de uma boa assessoria tenha investido suas economias em ações dessas Cias e venha amargando prejuízos drásticos mas mantém um fio de esperança em recuperar seu capital com o PAC SOS Ferrovias. Se for mesmo um infeliz investidor no momento está com o mico nas mãos.

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