7:28Duas lágrimas por Naumim Aizen

D. Luba e Adolfo Aizen, entre os filhos ainda jovens: Naumim (à esquerda), Paulo Adolfo e Mário (ao centro), o único que não participou da Ebal – (Foto do álbum de família)

por Célio Heitor Guimarães

A notícia saiu no site especializado universohq e provocou pesar no mundo dos quadrinhos nacionais: Naumim Aizen, filho do pioneiro das histórias em quadrinhos no Brasil, Adolfo Aizen, morreu no dia 20 de julho, aos 72 anos (completaria 73 de 16 de outubro), no Rio de Janeiro e só agora a notícia foi divulgada.

Junto com o pai, com o irmão Paulo Adolfo e com Fernando Albagli, Naumim foi um dos diretores da gloriosa e saudosa Ebal – Editora Brasil América Ltda., fundada em 1945 e que, por muitos anos, foi a líder absoluta no mercado brasileiros de gibis (o velho Adolfo odiava essa designação, extraída do título de uma das revistas de seu concorrente Roberto Marinho). Grande parte desse sucesso se deveu à maneira carinhosa com que os Aizen tratavam os leitores, seja nas próprias publicações, seja nas visitas que faziam à editora, na Rua Gen. Almério de Moura, ao lado do Estádio São Januário, do Vasco da Gama, em Bonsucesso, no Rio.

Nas décadas de 1950 e 1960, a Ebal chegou a ter mais de 40 títulos nas bancas, algumas com tiragens superiores a 150 mil exemplares. Foi ela que apresentou aos leitores brasileiros heróis com Flash Gordon, Fantasma, Mandrake, Tarzan, Pato Donald, Zorro, Super-Homem, Batman, Homem- Aranha, Quarteto Fantástico, Pernalonga, Tom & Jerry e o nacional Judoka, entre outros, além de uma centenas de mocinhos do faroeste e a incomparável “Edição Maravilhosa”, com a quadrinização de grandes clássicos da literatura mundial.

No final dos anos 70, depois de uma fase de revistas no chamado “formatinho”, a Ebal, para tristeza dos seus leitores, começou a definhar. Os personagens migraram para outras editoras, os títulos minguaram e as vendas chegaram a quase zero.

Com a morte de Adolfo Aizen, em maio de 1991, a editora passou a funcionar apenas como gráfica, mas logo virou massa semi-falida administrada por uma empresa externa e o prédio da sede, que era o orgulho do velho Aizen, foi fatiado e alugado para uma escola e outras empresas. E os Aizen foram perdendo seu patrimônio, consumido em dívidas, as maiores das quais com o governo, em impostos atrasados.

Desde a adolescência, os filhos de Adolfo, Paulo e Naumim, foram companheiros do pai na aventura dos quadrinhos, aprendendo todo o processo, desde a negociação dos direitos, à tradução, produção, impressão e distribuição.

Nos últimos tempos, Naumim ainda tentou tocar como podia a empresa, mas as dificuldades financeiras acabaram por derrotá-lo. E o final da grande Brasil- América arruinou também a vida pessoal de Naumim, que assumiu todo o ônus do passivo trabalhista da editora e as demais dívidas. Perdeu tudo o que tinha, terminou seu casamento e passou a ter problemas de saúde. Sua situação era das mais difíceis, o que o fez viver seus últimos dias em um asilo mantido pela comunidade judaica carioca. Profundamente lamentável.

Ainda assim, nas poucas vezes em que se pronunciou nesses tempos de penúria foi para cultuar o trabalho e a memória de seu pai. Ainda escreveu  alguns livros infantis, como o premiado “Era uma vez duas avós”, mas ficou nisso. Teve tempo, porém, de doar todo o acervo da Ebal e o que sobrara do Museu dos Quadrinhos, montado por Adolfo, à Biblioteca Nacional, incluindo alguns originais de capas de revistas e dos clássicos quadrinizados.

Além disso, Naumim Aizen deixou pronto um livro inédito, denominado “Como foi maravilhosa a aventura”, sobre a produção dos 54 volumes de autores nacionais publicados por “Edição Maravilhosa”, que está sendo editado pelo jornalista Gonçalo Júnior para futura publicação pela Editora Laços.

3 ideias sobre “Duas lágrimas por Naumim Aizen

  1. EDUARDO IGNACIO AISEN

    Meu pai, PABLO AISEN, primo irmão do ADOLFO AIZEN, nasceu em ARGENTINA, pois os avos, quando
    vierom da EUROPA, dividiram a família, uma parte fico no BRASIL, e uma outra foi para ARGENTINA.
    Adolfo , VIAJO A BUENOS AIRES, a conhecer o resto da família, e logo do reencontro, ficaram mas
    frequentes as visitas, Eu conheci a família Brasileira, em 1952, uma viagem a fez ADOLFO, com a tia LUVA
    e meus primos PAULO ADOLFO, NAUMIM, E MARIO.
    Logo em 1973, no retorno de uma viagem a Europa, fiquei no RIO, vários dias. para matar saudades.
    Em todos esses anos, a gente mantive, muitas reuniões familiares, Ainda hoje, a gente se comunica
    mais fácil por internet, e vamos no RIO, para encontros familiares, e passeios. Em Maio do 2009, o irmão do
    Adolfo, ARNOLDO, festejo o CENTENARIO e reuni-o grande parte de família , em maravilhosa festa, e também assistiram vários integrantes da FAMILIA do ADOLFO BLOCH,, parentes dos AIZEN
    conhecia EBAL em 1973, que era tudo um símbolo para a EDUCAÇAO INFANTIL.
    em 2004, EM UMA VISITA de primos que moram em NEW YORK, fizemos uma reunião no hotel
    ATLANTICO COPACABANA, com primos que não se visitaram durante 52 ANOS.ç
    Em fim grandes figuras para a EDUCAÇAO DO BRASIL. Infelizmente, acontece muito essas falências
    das empresas FAMILIARES. Muitos não sabem que ADOLFO AIZEN, trabalho junto a ROBERTO MARINHO , quem não quis introduzir os GIBIS, ou HISTRORIAS EM QUADRINHOS, ate que ADOLFO
    AIZEN, fez sua Editora.
    Obrigado pelo espaço, atentamente EDUARDO IGNACIO AISEN

  2. Howard Blue

    Estou escrevendo um livro sobre um americano que representou a DC Comics para Adolfo Aizen. Eu li em algum lugar que até o final da década de 1950, os títulos da DC Comics não estavam mais sendo importados para o Brasil (ou publicados no Brasil). Mas isso não faz sentido para mim porque acredito que eles eram. Você pode me dizer alguma coisa sobre isso.

    I would like to communicate with Paulo. Can you help me?

    Howard Blue
    New York City

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