6:48O Paraná cochilou e perdeu o trem?

por Paulo Ferraz *

Depois de um amplo debate havido em nosso estado, o escrete formado pelo setor produtivo representado por suas Federações, o Governo Estadual, o segmento acadêmico, políticos e as entidades de classe de Engenharia. tudo levava a crer que, enfim, o Paraná teria uma considerável expansão de sua malha ferroviária,  sonho de quase 50 anos.

Tinha ficado claro que uma nova linha direta de Guarapuava a Paranaguá, a ligação Cascavel à Maracajú no Mato Grosso do Sul, o novo eixo da Ferrovia Norte-Sul, passando por Campo Mourão e Pato Branco, e o Contorno Ferroviário de Curitiba pareciam estar sacramentados como prioridades do modal sobre trilhos para atender as necessidades da logística no Paraná.

O Governo do Estado dava como certo os entendimentos com o Governo Federal e só aguardava o anúncio dos aportes da União e da modelagem para a implantação dos novos projetos.

Mas, no lançamento do PAC Infraestrutura, o sonho virou pesadelo  para o Paraná !

O nosso pujante estado ficou de fora!

Lembrou o famoso episódio da Copa de 58. O técnico brasileiro Vicente Feola orientando o jogador Garrincha antes do jogo com a Rússia para que o ponteiro, recebendo a bola, driblasse o marcador, fosse até linha de fundo e cruzasse para o nosso centroavante marcar o gol. O craque das pernas tornas perguntou então: “Isso já foi acertado com o adversário? ”

No caso das ferrovias, nossas autoridades cochilaram e o trem passou voando como o Trem Bala do Bernardo Figueiredo.

Os ministros paranaenses, pressionados, logo acenaram com a solução de um prêmio de consolação, oferecendo ao Paraná um pacote que precisa ser analisado com extrema cautela pois pode ser um presente de grego.

O nosso estado precisa avaliar o que ganha nesse jogo, sob pena de ser usado somente para chancelar um esquema direcionado para atender grandes grupos operadores de logística e uma grande multinacional exportadora de grãos, resultado da força política da Ministra Ideli Salvati, que trará resultados econômicos para Santa Catarina.

Além da frustração de não contar com uma nova linha para Paranaguá, os paranaenses verão sua produção escoar pelos portos de São Francisco e de Itapoá, reduzindo receitas dos nossos embarcadouros.

O prêmio de consolação não representará a real expansão da malha que almejamos, pois mais de 80 % não seriam novas linhas, mas sim adequações das linhas atuais, conforme já apontados nos editais da VALEC, trilhos esses que apresentam problemas de circulação de trens em áreas urbanas, com muitas passagens em nível, baixa velocidade e invasões de faixas que vem crescendo pós-privatização.

E como serão feitas essas adequações sem prejuízos ao tráfego atual?

Será que dos R$ 90 bilhões do PAC, nossos Ministros só nos darão remendos nas nossas linhas?

*Paulo Ferraz é engenheiro

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