9:11Dever cumprido

Agência CNJ de Notícias, em reportagem de Manuel Carlos Montenegro Eliana Calmon:

“Saio com sensação de dever cumprido”

A corregedora Nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon – que deixa o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) esta semana – se despediu dos colegas, na última sessão plenária à frente do cargo, fazendo uma avaliação positiva de sua gestão, iniciada em setembro de 2010. “Saio com a consciência de dever cumprido. Fiz o que foi possível fazer”, disse.

A ministra atribuiu ao trabalho da Corregedoria e à parceria firmada com alguns tribunais as mudanças positivas observadas em parte do Poder Judiciário. “Vi tribunais saírem do chão e conseguiram se soerguer. Vi algumas corregedorias locais crescerem por um incentivo meu”, afirmou. As transformações ocorridas nos tribunais de justiça de Tocantins, Amazonas, Mato Grosso, Piauí e de São Paulo foram citadas por ela como exemplos de sucesso.

Homenagens – O presidente do Supremo Tribunal Federal e do CNJ, ministro Ayres Britto, liderou as homenagens dos conselheiros ao trabalho da ministra Eliana Calmon. Ayres Britto elogiou o entusiasmo, a coragem e o combate ao patrimonialismo demonstrados pela ministra Eliana Calmon e sua equipe. “Vossa Excelência é a encarnação desse anti-patrimonialismo e do impessoalismo de que trata nossa Constituição como os princípios regentes da atividade administrativa”, afirmou.

De acordo com Ayres Britto, o combate à improbidade administrativa, malversação de recursos, desvio de funções e atos de corrupção “não no sentido rigorosamente penal” marcaram a passagem da ministra pelo Conselho. “Vossa Excelência alentou a cidadania, que não se sentiu esvaecida e não resvalou para o temerário campo do ceticismo durante a sua proficiente profícua e paradigmática gestão”, disse.

Em relação aos julgamentos disciplinares que relatou, a ministra reconheceu que foi dura por causa de sua aversão a corrupção, especialmente nas fileiras da magistratura. “Quem tem o poder de prender, liberar ou bloquear patrimônio, decidir sobre a vida econômica e afetiva das pessoas não tem o direito de transigir eticamente”, destacou.

Prioridades – A corregedora reconheceu ter priorizado a missão profissional em relação à vida pessoal. “Eu não me enganei, eu já sabia: para se ser ético, não se pode ter uma vida cômoda. A minha vida nesses dois anos foi extremamente incômoda, mas eu me dispus a ser para fazer a meu alcance, humildemente”, afirmou.

Da sua passagem pelo CNJ, revelou não guardar mágoas. “Não existe mágoa no meu coração porque eu sou feliz e quem é feliz não tem mágoas”, concluiu. Eliana Calmon também pediu desculpas aos colegas “por algum desagrado, alguns maus modos. É uma questão de personalidade. No meu íntimo, sou muito afetiva e quero muito bem às pessoas”, afirmou.

A Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) será o próximo destino da ministra. Após um mês de férias, ela dirigirá a instituição, cargo para o qual foi eleita pelos seus colegas do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Manuel Carlos Montenegro
Agência CNJ de Notícias

Uma ideia sobre “Dever cumprido

  1. antonio carlos

    Os nossos doutos desembargadores deve estar estourando aquelas Viúvas Cliquot, que guardaram com tanto carinho nas suas adegas climatizadas. Hoje é o dia para abrí-las, porque votavam significativo ódio a esta senhora, que já deixa saudades. Ao contrário do que se diz, vai muito cedo embora. ACarlos

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