7:56Hermes, um talento e um amigo

por Célio Heitor Guimarães

Li no obituário do jornal de domingo e fiquei triste, muito triste. Falecera e já fora enterrado no sábado Hermes Astor Soethe. Quem é ligado na comunicação, na imprensa, na publicidade ou nas artes gráficas, sabe de quem estou falando. Quem não é, precisa ficar sabendo que Hermes Astor Soethe foi importante figura no desenvolvimento do Paraná, particularmente na esfera jornalística e empresarial gráfica. Com o seu falecimento, eu perdi um velho companheiro, que merecia a minha estima e admiração.

Ele era filho do professor Adolfo Soethe, grande intelectual e grande idealista, que, em 1951, criou em Londrina a revista Panorama, uma das primeiras publicações da região norte paranaense. Não sei se ainda existe, na forma impressa, mas se existir, é a mais antiga revista em circulação no Brasil. Em 1960, Adolfo trouxe-a com a família para Curitiba, associou-se a Oscar Schrappe Sobrinho, da Impressora Paranaense, fê-la evoluir técnica e graficamente e fez história. Grandes nomes do jornalismo brasileiro passaram pelas páginas de Panorama.

Aliado fiel do pai, Hermes aprendeu com ele a arte de fazer publicações, amar a profissão e dedicar-se com afinco, capricho e coragem às atividades gráficas. Com a morte prematura de Adolfo, assumiu a confecção da revista. Cuidava da organização, da diagramação das páginas e mais do que fosse necessário. E ali ficou enquanto foi possível.

Escrevi alguns textos para Panorama, mas só passei a conviver com Hermes quando Luiz Renato Ribas o levou para a “nossa” TV-Programas, já então na fase do off-set, da qual eu era o redator-chefe, função hoje equivalente a editor. Eu também fazia a diagramação da revistinha, e Hermes cuidava da montagem das páginas, com a colagem dos textos e dos títulos e aplicação das fotos. As noites de fechamento eram cansativas, mas se tornavam prazerosas na companhia de Hermes. Ele era um “pé de boi” no trabalho e de defeitos só tinha um: fumava. Demais.

Aí, Ribas fundou a Digital Fotogravura, primeiro como clicheria, depois como impressora e fornecedora de fotoletras, fotocomposições e fotolitos, e entregou a direção a Hermes. Foi um sucesso. Com seu jeitão, conquistou um mundo de clientes e amigos. E valorizou, como poucos, as artes gráficas locais, prestando grande serviço à cultura paranaense e em especial ao mercado publicitário.

Juntos, com Luiz Renato no comando, ainda fizemos Directa, Directa Especial, Guiatur e Programas. Depois, nossos mundos se afastaram. Mas ficou a amizade e a admiração.

Sabia que Hermes andava adoentado. Mas não esperava que nos deixasse tão cedo, na flor dos 73. Fica a saudade e a certeza de uma vida bem vivida. Quando ele encontrar, lá em cima, o velho Adolfo, que tanto amava, será uma festa.

Uma ideia sobre “Hermes, um talento e um amigo

  1. Paulo Astor Soethe

    Caro Célio Guimarães,

    Obrigado por seu texto carinhoso e informativo. Empenho-me agora, junto com o Renato Ribas, a dar certa visibilidade à obra que ficou do pai, em especial suas fotos dos anos 50/60.

    Um abraço, grato mesmo,
    Paulo Astor Soethe

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