10:45Casa fechada

Da Gazeta do Povo, em reportagem de Isadora Rup:

Casa João Turin fecha as portas

Espaço dedicado ao artista, na rua Mateus Leme, não está mais funcionando; acervo documental será encaminhado ao MON e nova função para a casa ainda não foi definida

Depois de 23 anos de funcionamento na Rua Mateus Leme, a Casa João Turin (CJT), dedicada ao escultor considerado o precursor da técnica no Paraná, será fechada – a visitação para o público, por exemplo, já está encerrada. Os boatos sobre o fim do espaço surgiram nas redes sociais e entre artistas plásticos da cidade, e foram confirmados pela Secretaria de Estado da Cultura (Seec) e pela diretora do espaço, Elisabete Turin. A última exposição na CJT permaneceu em cartaz até fevereiro.

Em novembro do ano passado, parte do acervo de João Turin (tombado em 2011 pelo Patrimônio Histórico do Estado), que estava em contrato de comodato entre a Seec e o sobrinho do artista, Jiomar Turin, há 22 anos, foi vendido por Jiomar ao empresário Samuel Ferrari Lago, que está realizando fundições em bronze com matrizes originais em gesso deixadas pelo artista. A parte de documentos, fotos, além de outras 13 obras tridimensionais continuam sob responsabilidade do Estado, que encaminhará as peças para a reserva técnica do Museu Oscar Niemeyer (MON).

A reportagem da Gazeta do Povo conversou com a diretora da CJT na manhã de ontem, logo depois de uma aula do projeto História, Memória e Patrimônio Cultural, desenvolvido para educadores, e que era ministrado na sede da CJT, mas que está temporariamente alocado no Centro Juvenil de Artes Plásticas, que fica ao lado da casa. Segundo Elisabete, os projetos educativos continuarão durante o segundo semestre no Museu Paranaense, entretanto, “o espaço não vai continuar funcionando como Casa João Turin. Vai ter outra função, que ainda não sabemos.”

O imóvel, que pertence à Seec, não é tombado. Porém, é uma Unidade de Interesse de Preservação (UIPs), locais que recebem um alerta da Secretaria Municipal do Urbanismo para que intervenções sejam analisadas, entretanto, sem o mesmo rigor do tombamento. A Seec também declarou que o museu passará por uma manutenção básica e que não existem problemas estruturais no imóvel. Ainda de acordo com a assessoria de imprensa da secretaria, não foi definida uma nova função para a casa.

Para o artista plástico e conselheiro da CJT Valdir Francisco, somente o acervo documental (cerca de 2,5 mil itens entre cartas, esboços e livros) já justificam a existência de um museu em memória ao artista. “A casa preservaria a memória do João Turin. Fui fazer uma visita há algumas semanas e tudo estava sendo embalado. Fiquei assustado e muito triste, temo que o nome dele com o tempo desapareça.” A escultora Loire Nissen, também conselheira do museu, acredita que o desmanche é uma “grande perda”, e que a atitude reflete “um descaso com o patrimônio e com o que a casa significa para Curitiba. O estado poderia ter comprado o acervo”, salientou. Segundo a secretaria, a família optou pela venda ao empresário, e informou que mantém uma parceria com a família Lago para a preservação das obras.

Todo o acervo documental está passando por um processo de digitalização (despesa arcada pela família Lago) e conservação preventiva para integrar o Centro de Documentação e Pesquisa do MON. A intenção é que sejam intensificados os trabalhos de pesquisa e investigação. A ação, de acordo com o comunidado da secretaria, será piloto para a gestão museológica de acervos, prevista no programa Museus Paraná (lançado este ano), e que o acervo de João Turin será o primeiro a ser tratado dentro das normas museológicas e de conservação. Além disso, até novembro, o acervo documental de João Turin “deverá estar disponível em plataforma web para acesso e pesquisa”, informou a Seec.

Novas originais

As matrizes originais em gesso vendidas para o empresário Samuel Ferrari Lago foram retiradas da CJT no início deste ano e levadas para um local construído pelos donos, onde serão realizadas séries de seis obras em bronze com cada matriz original em gesso, processo realizado por uma equipe de museólogos, artistas plásticos e restauradores. Uma das cópias será doada para o governo do estado do Paraná (que seria encaminhada para a Casa João Turin), mas agora, integrará, disse a Seec, uma grande exposição dedicada ao artista, que deverá ser realizada no 2.º semestre de 2013 no MON, e depois fará parte da reserva técnica do museu e de eventuais exposições itinerantes realizadas pelo programa Museus Paraná.

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