19:04HORÓSCOPO

por Zé da Silva

Escorpião

Doeu mais que a vacina. O tapa fez o sangue escorrer pelo braço. Onde foi parar a casca da ferida? Ele olhou o corredor e lembrou. Foi ali. Meio século antes. Não havia mais as casas. O corredor ficou. E o sangue nos olhos. Única briga da vida. O amigo, que “fez o serviço” (sem querer), foi ao chão. O corpo em cima, mãos na garganta. Gritos. Veio então a palavra: esganadura. Agora não podia mais pedir desculpas. O outro morreu anos depois. Atropelado. Outra palavra. Forte. Como o som das mães dos dois acudindo. Mais uma! Separados na marra. Outra! Naquele corredor. Que ficou. Como as palavras. Marcadas. Para sempre.

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